segunda-feira, 28 de abril de 2014

Futebol Clube do Porto


Futebol Clube do Porto

Imagem de marca da cidade cujo nome ostenta, lídimo representante da Invicta, do Norte do País e um dos maiores baluartes de desporto nacional, pelo seu desempenho além-fronteiras, e apesar de dispor de recursos económicos muito inferiores, alcandorou-se ao lado dos grandes colossos do desporto mundial, impondo-se pela sua valia desportiva cujos alicerces se fundam numa estrutura baseada no método, no rigor e na eficiência.

A despeito de todos estes atributos e mesmo apresentando-se muitas das vezes melhor apetrechado no plano nacional, rareavam os títulos em especial no desporto rei, face à hegemonia imposta pelos clubes da capital. Porém, no último quarto do século passado, a queda do regime político que vigorava e o restabelecimento da democracia, teve também influência no panorama desportivo nacional, nomeadamente no futebol, eliminando-se progressivamente o servilismo, o obscurantismo, a subserviência no favorecimento de alguns em prejuízo de outros, permitindo assim que a qualidade e o valor pudesse emergir, pudesse brilhar. Foi a partir daqui que, sob a direção de Pinto da Costa, o FC do Porto impôs a sua valia, jamais aceitando submeter-se à condescendência servil que ainda teimava – e teima – em persistir. Com relevo para as equipas de profissionais de futebol, sobreveio nos relvados do país e no estrangeiro toda a classe, toda a pujança, todo o profissionalismo, toda a qualidade desportiva das equipas do FC do Porto, maravilhando os amantes do desporto e do futebol em particular, proporcionando inesquecíveis momentos de alegria à maioria dos portugueses, e aos portistas em particular, com os seus triunfos. Apesar da supremacia demonstrada em campo época após época, quer no país, quer no estrangeiro, não se livrou o clube de ser alvo de alguns detratores, talvez frustrados por não lhes aparecerem as vitórias como noutros tempos. De uma investigação que deixou a impressão ser dirigida com um objetivo pré-determinado – face às gravações cirurgicamente divulgadas na comunicação social – resultou uma condenação numa justiça desportiva cuja imparcialidade suscitava muitas dúvidas e que, em termos práticos, pouco afetou o clube, nada se tendo provado nos tribunais. A mão que só destapa o que quer que se saiba, melhor sabe esconder o que não quer saber.


Com a sua sede, desde os primeiros dias, na cidade que lhe dá o nome, o Porto, o Futebol Clube do Porto é um dos maiores clubes desportivos portugueses, onde se praticam várias modalidades e cuja fundação remonta ao ano de 1893, por iniciativa de António Nicolau d'Almeida.


Após um período de inatividade de cerca de mais de dez anos, o clube foi refundado, em 1906, por José Monteiro da Costa.

Na principal modalidade do clube, o futebol, venceu 4 Campeonatos de Portugal, 27 Campeonatos Nacionais, 16 Taças de Portugal e 20 Supertaças Cândido de Oliveira (recorde nacional).

Internacionalmente, venceu 7 títulos, nomeadamente 2 Ligas dos Campeões, 2 Ligas Europa, 1 Supertaça Europeia e 2 Taças Intercontinentais, totalizando assim 74 títulos oficiais na modalidade, pelo que é o clube português com mais títulos oficiais.

Para além do futebol, o FC Porto tem também outras modalidades tais como: hóquei em patins (21 títulos – 2 Taças CERS – 1 Supertaça Europeia), andebol (18 títulos), basquetebol (11 títulos), bilhar (19 títulos – 3 vezes Vice-Campeão Europeu), natação (6 títulos “absolutos”), atletismo, voleibol, boxe, desportos motorizados, ciclismo, halterofilismo, pesca desportiva, campismo, entre outras, colecionando diversos troféus nacionais e internacionais.

O FC Porto faz parte duma troica: os "Três Grandes", juntamente com o Sport Lisboa e Benfica, o seu maior rival, e o Sporting Clube de Portugal.

As cores principais do clube são o azul e o branco, e a casa atual do clube para o futebol é o Estádio do Dragão, que tem uma capacidade para 50 mil espetadores. O Dragão Caixa é o segundo recinto do clube, destinado para as outras modalidades. O atual presidente é o Jorge Nuno Pinto da Costa, que está à frente do clube há mais de 30 anos.

Fundação do Clube

Em 28 de setembro de 1893, no dia do aniversário do rei D. Carlos e da rainha D. Amélia, o Foot-Ball Club do Porto é fundado, pela vontade de um jovem de 20 anos, António Nicolau d'Almeida, um comerciante do vinho do Porto, que descobriu o futebol através das suas viagens a Inglaterra. O FC Porto inicia então os seus primeiros treinos no Campo do Prado, em Matosinhos e, no dia 8 de outubro disputa o primeiro jogo da história do clube, contra o Clube de Aveiro.

A 25 de outubro de 1893, Nicolau d'Almeida convida o Club Lisbonense para uma partida de futebol, que disputaria no dia 2 de novembro. O Diário Ilustrado é quem noticia o convite e até a resposta do Club Lisbonense. Porém, Guilherme Pinto Basto, o então presidente do Club Lisbonense, aceitou o convite mas não no dia previsto. A data escolhida é o dia 2 de março do ano seguinte e para além disso, Pinto Basto consegue convencer D. Carlos a patrocinar o jogo, para o qual ofereceu também uma taça. O nome escolhido foi Taça D. Carlos I, ou “Cup d'El Rey”. O encontro é disputado no Campo Alegre, no Porto, também chamado Campo dos Ingleses, casa do Oporto Cricket and Lawn-Tennis Club, e termina com uma derrota do FC Porto, por 1-0.

António Nicolau d'Almeida casa-se, em 1896, com Hilda Rumsey e esta pede-lhe para se afastar do futebol, modalidade que considerava demasiado violenta. Nicolau d’Almeida acede e afasta-se do clube que entrou num período de letargia.

Doze anos depois, em 1906, José Monteiro da Costa regressa de Inglaterra e, fascinado pelo mesmo desporto que encantara o seu amigo há mais de uma década, cria uma equipa de futebol sob o nome “Grupo do Destino”.

Entretanto, conversando com Nicolau d'Almeida sobre o projeto que este iniciara em 1893, Monteiro da Costa extingue o “Destino”, refunda o FC Porto e instala a primeira sede do clube nas instalações do recém-extinto “Destino”. A nova fundação ocorre no dia 2 de agosto de 1906, assumindo desde logo uma faceta de clube eclético, logo se começando a praticar também diversas outras modalidades. Monteiro da Costa decidiu o azul e branco como as cores do clube: “As suas cores devem ser as da bandeira da Pátria [azul e branco naquela altura], e não as cores da bandeira da cidade, que tenho esperança que o futuro clube há-de ser grande, não se limitando a defender o bom nome da cidade, mas também o de Portugal, em pugnas desportivas contra os estrangeiros”, mantendo o nome. Para além disso, foi desenhado o seu primeiro emblema, que consistia numa bola de metal azul com as iniciais "FCP". Entretanto, é alugado à Companhia Hortícola Portuense o primeiro campo do clube, o Campo da Rainha, que fora simultaneamente o primeiro relvado de Portugal.

O Campo da Rainha, entretanto começa a ficar pequeno para tanta assistência e, em julho de 1912, o FC Porto muda-se para o Campo da Constituição. Para comemorar a nova casa, a equipa inglesa Oporto Cricket Lawn-Tennis Club organizou um jogo, do qual saíram vencedores por 5-2. Em agosto de 1912, juntamente com o Leixões, o FC Porto cria a Associação de Futebol do Porto, participando assim no Campeonato do Porto, que viria a ganhar 30 das suas edições, 21 delas consecutivas, entre 1915 e 1947.

Outra modalidade do clube, pesos e halteres, destacar-se-ia na época de 1915-16, com o duplo campeonato nacional alcançado por Carlos Oliveira. A época posterior a essa foi também de grande interesse, devido à inauguração do campo de ténis, substituindo o rinque de patinagem, que serviu para mostrar os troféus e taças conquistados pelo clube. Na temporada 1920-21, o clube tenta a compra do Campo Nova Sintra, desistindo da ideia devido ao alto valor do terreno, 800 contos, continuando o Campo da Constituição como casa do clube.

Em junho de 1922, arranca a primeira edição do Campeonato de Portugal, prova criada pela União Portuguesa de Futebol, antecessora da Federação Portuguesa de Futebol, com o objetivo de juntar os campeões regionais de Lisboa e Porto. É o FC Porto quem leva a melhor, ganhando ao Sporting por 3-1, na finalíssima. Nesse mesmo ano, o futebolista "Simplício", que fora também artista gráfico, conjugou o antigo símbolo do FC Porto com as armas da cidade do Porto, dando origem ao atual emblema do clube.

Dois anos depois, na primeira prova de sempre nas piscinas do FC Porto, Luíz Canto Moniz ganha os 200 metros livres do campeonato nacional, iniciando-se no mesmo ano a prática do hóquei em patins. Dias depois da derrota do FC Porto contra o Deportivo por 7-3, a 18 de maio de 1925, Velez Carneiro, um ídolo portista da época e que marcou o golo que valeu o título de campeão nacional de futebol, é assassinado com quatro tiros pelo escriturário Carmindo Duarte, na Travessa dos Congregados, e a sua homenagem foi imponente pelas muitas pessoas que se acotovelaram, desde a Constituição até ao cemitério de Paranhos, para o último adeus. O Jornal de Notícias, na sua edição de 22 de maio escrevia: “Muito antes da hora marcada para a saída do féretro já o Campo de Jogos da Constituição regurgitava de pessoas. Depois de dar a volta ao campo, o féretro, conduzido pelos jogadores da equipa de que o finado fazia parte, foi colocado ao centro do campo, mantendo-se o público em silêncio durante cinco minutos, que foram observados religiosamente. Findo este recolhimento que impressionou, a Direção do F. C. Porto procedeu à colocação da bandeira do seu clube sobre o féretro. O capitão da equipa, Hall, conduzia sobre uma almofada de cetim preto as medalhas oferecidas ao falecido jogador.”

A 1926, inicia-se a prática do basquetebol, por iniciativa de três jogadores, e três anos depois o clube estreia-se no hóquei em campo, a 20 de outubro de 1929.

O FC Porto conseguia tanto público que o Campo da Constituição começou a ficar pequeno. Por isso em 1933, foi proposta em Assembleia Geral a aquisição de terrenos para a construção de um novo estádio, o Estádio das Antas. Enquanto este não estava disponível, o clube ia jogando, de vez em quando, noutros campos emprestados, como o Campo do Ameal ou o Estádio do Lima.

No ano da primeira edição da Primeira Divisão, em 1934-35, o FC Porto é o seu vencedor, com dois pontos de avanço sobre o segundo classificado, o Sporting, e graças ao húngaro Joseph Szabo. O FC Porto volta a ser campeão nacional apenas quatro anos depois, em 1938-39, ano em que o Campo da Constituição aumenta a sua lotação para 20 mil lugares.

Foi por pouco que o FC Porto não desceu à Segunda Divisão na temporada seguinte, pois a equipa de futebol acabou o Campeonato Regional na terceira posição, lugar que não dava acesso à Primeira Divisão. No entanto, devido ao alargamento de clubes do principal escalão, o clube manteve-se na mais alta competição de futebol, e curiosamente foi bicampeão pela primeira vez na sua história.

A pior época de futebol até esta altura ocorreu em 1942-43, quando a equipa se quedou no sétimo lugar no campeonato. Os 12-2 sofridos perante o Benfica para o campeonato em 7 de fevereiro de 1943, e a eliminação na Taça de Portugal, pelo Vitória de Setúbal por 7-0, sucessora do Campeonato de Portugal, reforçaram ainda mais a fraca época dirigida pelo técnico húngaro Lipo Herczka. Contudo, o clube é hexacampeão nacional de andebol na temporada seguinte, e o número de sócios dos dragões aumenta, passando dos 1800 sócios para 4 mil.

Em 1948, Fernando Moreira vence a 13ª edição da Volta a Portugal em bicicleta, e em 1952 o FC do Porto vence pela primeira vez o campeonato de basquetebol.

Ainda no mesmo ano, o FC Porto venceu a equipa do poderoso Arsenal, num jogo amigável, considerada a melhor equipa do mundo da época, por 3-2. Os “arsenalistas” deslocaram-se a Portugal para realizar dois jogos particulares. O primeiro no Estádio nacional contra o Benfica, a 3 de maio, vencendo por 4-0 e não faltando quem dissesse que, se em Lisboa foram 4, no Porto seriam muitos mais. Mas para a história reza que aos vinte minutos de jogo, o FC do Porto já vencia por 3-0, não sendo os ingleses capazes de evitar a derrota por 3-2. Para compensar o feito, um grupo de seis sócios lançou uma campanha para a compra de uma taça. A "Taça Arsenal", a maior taça do mundo, que custou duzentos contos e pesa cerca de duzentos e cinquenta quilos, repartidos 130 quilos de prata, os restantes num relicário com 2,80 metros de altura.

Só em 1937 começaram a ser tomadas medidas para concretizar o objetivo do novo estádio, com a criação de um empréstimo obrigacionista. Dez anos após, é adquirida uma área de 48 mil metros na zona das Antas, a leste da cidade. O ato simbólico do lançamento da primeira pedra aconteceu em dezembro de 1949, começando as obras um mês depois. Ao longo do processo foi necessário adquirir terrenos adjacentes aos originais, dado ter-se concluído que os atuais eram insuficientes para a complexo que o clube pretendia construir, ascendendo a área total a 63.220 metros quadrados. O "Estádio do Futebol Clube do Porto" é inaugurado em 28 de maio de 1952, mas para a história ficou como Estádio das Antas. Na inauguração, os dragões perdem por uns incríveis 8-2 contra o convidado Benfica.

Apesar de tudo, o clube chega à sua primeira final da Taça de Portugal na época seguinte, mas é novamente vencido pelo mesmo Benfica por 5-0. Estes episódios dramáticos chegaram ao fim em 1955-56, quando o clube portuense venceu a primeira dobradinha de futebol da sua história, ganhando ao Torriense na final da Taça por 2-0 e terminando em igualdade pontual com o Benfica no campeonato, conquistando o título de campeão por ter ganho por 3-0 nas Antas e empatado em Lisboa por 1-1. Como campeão, participa pela primeira vez em competições europeias na época seguinte, mas o sonho de seguir longe terminou rapidamente após a derrota contra o Atlético de Bilbao na 1ª eliminatória da Taça dos Clubes Campeões Europeus.

Nas épocas posteriores, entraram para o palmarés do clube duas Taças de Portugal de futebol, em 1958 e em 1968, um campeonato da mesma modalidade em 1959, quatro títulos consecutivos de Volta a Portugal em bicicleta em 1963 e o primeiro título de campeão nacional de voleibol em 1965. No futebol, o cenário inverteu-se quando o FC Porto termina a liga em nono lugar em 1969-70, pior da história, e é eliminado tanto na Taça de Portugal, como na Taça das Cidades com Feiras. O número de sócios aumenta para cerca de 41 mil em 1971, e no bilhar o clube obtém o terceiro lugar no campeonato europeu em 1972, melhor classificação da história por uma equipa portuguesa.

Entretanto, Pavão, futebolista do clube, falece no dia 16 de dezembro de 1973, devido a um ataque cardíaco, ao minuto 13, durante um jogo nas Antas, contra o Vitória de Setúbal, respeitante à 13ª jornada do campeonato. Em 1977, o regresso de José Maria Pedroto, que fora jogador do clube por largas épocas, a entrada de Jorge Nuno Pinto da Costa para diretor do departamento de futebol e a promessa de uma estrutura mais forte no clube, acaba com o jejum de títulos no futebol, ao conquistar a Taça de Portugal frente ao Braga. 19 anos depois, os dragões voltam a conquistar o campeonato nacional de futebol em 1978, mas perdem na final na Taça de Portugal frente ao Sporting, na finalíssima. Na época seguinte, mais uma vez campeão nacional de futebol, e vários títulos nas modalidades, nomeadamente a Taça de Portugal em basquetebol, campeonato nacional de ciclismo em equipas, Taça de Portugal de andebol e campeonato nacional de corta-mato, graças a Aurora Cunha.

A era Pinto da Costa

A 17 de abril de 1982, Jorge Nuno Pinto da Costa é eleito presidente do FC Porto, começando o clube a ganhar terreno ao longo dos anos sobre os rivais de Lisboa em qualquer modalidade. A conquista da Taça das Taças em hóquei em patins na mesma época, frente ao Sporting, e a reconquista na época seguinte, frente ao Benfica, foi prova disso mesmo.

Na última época de Pedroto, em 1983-84, o clube acaba a temporada com a Taça de Portugal no museu, ganha ao Rio Ave por 4-1, e a Supertaça, ganha ao Benfica na segunda mão. Para além disso, o FC Porto chegou à primeira final europeia, a Taça das Taças, tendo perdido para a Juventus por 2-1, em grande parte devido a uma arbitragem tendenciosa que favoreceu os italianos. Na época seguinte, o clube é campeão graças ao treinador Artur Jorge e vence também a Supertaça. Na mesma época e agora no atletismo, Aurora Cunha bate dois recordes nacionais e sagra-se campeã mundial dos 10 km de estrada. Na época de 1985-86, o FC Porto volta a ser campeão nacional em futebol, e Aurora Cunha volta a vencer o Campeonato Mundial dos 15 e dos 10 quilómetros. Entretanto, a 9 de dezembro de 1986, é criada a secção de Desporto Adaptado do clube.

A 27 de maio de 1987, na época de 1986-87, o clube vence com brilho o favorito Bayern de Munique por 2-1 e alcança o seu primeiro troféu internacional de sempre no futebol, a Taça dos Clubes Campeões Europeus. No Estádio Prater, em Viena, a equipa portuguesa esteve a perder até aos 78 minutos por 1-0, minuto em que Rabah Madjer se inspira, marca o famoso golo de calcanhar e empata a partida. Poucos minutos a seguir, Juary marca o golo da vitória do primeiro título europeu do palmarés do clube, no que ao futebol diz respeito. O FC Porto foi ainda campeão da Supertaça, ganha, mais uma vez, ao Benfica.

Com a saída de Artur Jorge na época seguinte, Tomislav Ivic assumiu o cargo de treinador, e venceu mais quatro títulos. Entre eles, a primeira Taça Intercontinental do clube e de Portugal (1987), ganha na neve ao Peñarol, e a primeira Supertaça Europeia do clube e, novamente, de Portugal, ganha frente ao Ajax. O FC Porto sagra-se ainda campeão nacional e vencedor da Taça de Portugal. Em 1993-94, a equipa de hóquei em patins conquista pela primeira vez a Taça Europa – CERS, acontecimento que se repete, quatro anos depois, na época de 1996. Foi na mesma época que o FC Porto gelou o Estádio da Luz, na Supertaça de futebol, ao golear por 5-0 o seu maior rival, na sua maior vitória na casa do Benfica, tendo-se iniciado a gloriosa caminhada até à época de 1997-98, vencendo o campeonato nacional de futebol, pela quarta consecutiva, sagrando-se tetracampeão e igualando o Sporting que detinha o recorde de quatro campeonatos seguidos alcançado nos anos 50 para, na época seguinte, revalidar o mais uma vez título e chegar ao PENTA, feito inédito. Em 1999 não escapou mais uma Supertaça, desta vez frente ao Sporting de Braga.

Em 1997, é criada a Futebol Clube do Porto – Futebol SAD (Sociedade Anónima Desportiva), tendo como objetivos a gestão e a organização do futebol no clube. Foram três os acionistas fundadores da SAD: Investiantes – Investimentos Desportivos, Lda., com noventa e nove mil novecentos e noventa e sete ações (50%); o próprio clube, com oitenta mil ações (40%); e a Câmara Municipal do Porto, com vinte mil ações (10%). No mesmo ano, a 20 de julho, a Futebol Clube do Porto – Basquetebol SAD é criada, sendo o grande objetivo a exclusividade da gestão técnica e financeira da modalidade e a participação em competições desportivas profissionais.

Novo século

Este novo século começou com um segundo lugar no campeonato de futebol, com a equipa liderada por Fernando Santos, despedido nessa época após a falha do objetivo principal dois anos consecutivos. Contudo, o FC Porto não deixou de vencer títulos e conquistou a Taça de Portugal frente ao Marítimo. A época seguinte, valeu a Octávio Machado e a José Mourinho, um terceiro lugar no campeonato. No entanto, a Supertaça entrou novamente no palmarés portista, conquistada frente ao Boavista.

A 16 de novembro de 2003 foi inaugurado o Estádio do Dragão, com capacidade para cerca de 50 mil espetadores, mas que só começaria a ser utilizado mais tarde devido a problemas relacionados com a relva. O jogo da inauguração com a equipa do Barcelona, clube convidado, e que terminou com uma vitória por 2-0, marcou também a estreia da futura estrela mundial, Lionel Messi. Já no ano anterior, a 5 de agosto, havia sido inaugurado outro complexo, o Centro de Treinos e Formação Desportiva Porto/Gaia, destinado para os treinos da equipa e construído em Vila Nova de Gaia.

 A época de glória chegou na segunda época de José Mourinho, com a conquista da primeira Taça UEFA do clube, deixando pelo caminho adversários complicados tais como a Lazio e o Panathinaikos, vencendo na final, em Sevilha, o Celtic por 3-2, após prolongamento. Para além disto, Mourinho ganhou a Taça de Portugal e o campeonato. Mourinho atingiu apenas o apogeu da sua carreira no clube no ano seguinte, quando o FC Porto venceu o Mónaco na final da Liga dos Campeões por 3-0. Manchester United e Deportivo da Corunha foram alguns dos adversários eliminados pela equipa novamente campeã nacional e vencedora da supertaça. Já no mesmo ano, o FC Porto sagrar-se-ia campeão mundial de futebol de clubes, após a vitória contra o Once Caldas, nos penaltis, na disputa da última Taça Intercontinental. Mourinho havia saído no fim da última época, mas isso não impediu o FC Porto de vencer quatro títulos em 2004.

Em 2008-09, o FC Porto sagrou-se tetracampeão nacional de futebol e vencedor da Taça de Portugal, por obra e graça de Jesualdo Ferreira. Os dragões atingiram ainda os quartos-de-final da Liga dos Campeões, sendo eliminados graças a um golo de Cristiano Ronaldo na segunda mão, que valeu a passagem do Manchester United à fase seguinte, depois de um 2-2 em casa dos ingleses. Entretanto, no dia 23 de abril de 2009, o Dragão Caixa é inaugurado, um pavilhão destinado às várias modalidades do clube, após um terceiro lugar no campeonato em 2009-10.

André Villas-Boas entra no comando técnico e vence brilhantemente quatro títulos na época 2010-11, um deles internacional, a nova Liga Europa, alcançada frente ao Sporting de Braga por 1-0, com um golo do melhor marcador da competição Radamel Falcao, naquela que foi a primeira final europeia entre clubes portugueses. Para além do campeonato, Taça de Portugal e da Supertaça, o FC Porto ainda estabeleceu diversos recordes, entre eles a equipa portuguesa com mais títulos no futebol, ultrapassando o Benfica que tinha na altura 68. Os juniores de futebol conquistaram pela primeira vez um título oficial de dimensão internacional para os escalões de formação do clube: o Blue Stars/FIFA Youth Cup.

Em 2012-13, o FC Porto, sob o comando do técnico Vítor Pereira, foi mais uma vez campeão invicto, com seis empates em trinta jogos, sucedendo a Villas-Boas que tinha sido também campeão sem derrotas dois anos atrás. Ainda no mesmo ano de 2013, é inaugurado o Museu do FC Porto BMG. Já esta época que está a terminar, o FC Porto que começou normalmente arrecadando mais uma Supertaça, perde o campeonato, é eliminado da Taça de Portugal e de Taça da Liga ironicamente aos pés do seu maior rival, o Benfica, depois de ser afastado, primeiro, da Liga do Campeões Europeus e depois da Liga Europa, numa temporada frustrante para os seus adeptos.

Recintos

O primeiro campo utilizado pelo FC Porto para a modalidade do futebol foi o Campo do Prado, em Matosinhos, onde iniciou os seus primeiros treinos no princípio de outubro de 1893. Mais tarde, em 1906, é alugado à Companhia Hortícola Portuense o Campo da Rainha, que fora entretanto um terreno não cultivado. Era um pequeno campo de trinta por cinquenta metros, o primeiro relvado de Portugal. No mesmo ano foram transferidos os viveiros de plantas para outro local, permitindo ao clube criar um campo com as medidas oficiais, rodeado de bancos para 600 pessoas e ainda uma pista de atletismo, balneários e um bar. O arrendamento anual era de 1$20.

Para além da tanta assistência que a equipa trazia ao recinto, no final de 1911, o FC Porto foi informado da gradual desocupação do Campo da Rainha para a construção de uma fábrica, que iria ser construída no relvado. Portanto em julho de 1912, uma assembleia geral aprova um novo terreno, o Campo da Constituição, na Rua da Constituição, arrendado por 350 escudos anuais e também subarrendado por outras três equipas. Para comemorar a nova casa, os ingleses do Oporto Cricket Lawn-Tennis Club organizaram uma partida, do qual saíram vencedores por 5-2.

Mais tarde, para poder exibir os troféus conquistados do clube, o FC Porto inaugura o campo de ténis em 1917, substituindo assim o antigo rinque de patinagem. Em 1920, o clube adquire o Campo da Constituição, na sequência do arrendamento por dez anos (400 escudos nos primeiros cinco anos e 450 nos restantes cinco). A comemoração foi feita através de um torneio amigável triangular, do qual saiu vencedor. Na temporada 1920-21, o clube tenta a compra do Campo Nova Sintra, mas desiste da ideia devido ao alto valor do terreno, continuando o Campo da Constituição como casa do clube. Na época 1928-29 é renovado o contrato de arrendamento do Campo da Constituição, com uma renda anual de 12 mil escudos, pagos em duas prestações de 6 mil escudos. Em 1938-39, o campo aumenta a lotação para 20 mil pessoas, o que implicou num aumento das receitas de bilheteira. Este recinto começa a ficar pequeno e, por isso, em 1933 foi proposta numa Assembleia Geral a aquisição de novos terrenos para um novo estádio, que viria a ficar conhecido como Estádio das Antas. Enquanto a nova casa não estava disponível, o FC Porto jogava de vez em quando noutros campos emprestados, como o Estádio do Lima ou o Campo do Ameal.

A primeira pedra para a construção do Estádio das Antas foi lançada a dezembro de 1949, mas a obra só começou um mês depois. José Bacelar, sócio número um do clube, pagou o salário do primeiro dia de trabalho a todos os operários. A inauguração acontece finalmente no dia 28 de maio de 1952, oficialmente denominado como "Estádio do Futebol Clube do Porto", onde esteve presente o general Craveiro Lopes, então presidente da República Portuguesa. O Benfica foi a equipa convidada para a inauguração, e com toda a frieza, o clube de Lisboa goleou o FC Porto por 8-2. Em 1962-63 é inaugurado o sistema elétrico do Estádio das Antas.

Ao longo do século o recinto foi ficando maior, devido à inclusão do Pavilhão Américo de Sá, para as modalidades de basquetebol, andebol e hóquei em patins, da piscina coberta, três campos relvados de treino, a Loja Azul, o Bingo, a Sala-Museu e a Torre das Antas. Além disso, sofreu um rebaixamento que permitiu aumentar a lotação para noventa mil lugares em 1986, o que levou a ser um dos estádios eleitos para o Mundial de juniores de 1991. Mas ainda antes, em 1973, o recinto foi palco de um triste falecimento de um jogador portista, Pavão, caído no relvado num jogo do campeonato devido a um ataque cardíaco.

A 9 de março de 1994, o estádio foi incrivelmente penhorado pelo ministro das finanças, Eduardo Catroga, devido a uma dívida fiscal de cerca de 200 mil contos. O estádio começou por ser demolido em 1 de abril de 2004 e acabou em 28 de junho de 2004, sendo substituído pelo atual Estádio do Dragão.

Inaugurado no dia 16 de novembro de 2003, o atual estádio do clube só começou a ser utilizado em 2004 devido a problemas relacionados com a relva. A construção do estádio custou 98 milhões de euros e tem uma capacidade para 50 mil espetadores. O jogo amigável da inauguração resultou numa vitória
de 2-0 contra o Barcelona, onde também se estreou a jovem promessa Lionel Messi, então com dezasseis anos. O estádio também foi utilizado para o Euro 2004 e recebeu o jogo de abertura, em que Portugal perdeu 2-1 com a Grécia. O Dragão tem recebido, entretanto várias distinções, entre elas a certificação GreenLight, entregue em 2004 pela Comissão Europeia, e a certificação "Sistema de Gestão Ambiental", entregue em 2007 pela Associação Portuguesa de Certificação. As instalações do recinto também mereceram o certificado de "Sistema de Gestão de Qualidade".

Outros recintos

O FC Porto, para além destes recintos, possui também o Dragão Caixa, pavilhão para as modalidades do clube, inaugurado no dia 23 de abril de 2009, com uma capacidade para dois mil espetadores, e um campo de treinos para a modalidade de futebol, de nome Centro de Treinos e Formação Desportiva Porto/Gaia, inaugurado em 5 de agosto de 2002 em Vila Nova de Gaia.

A 28 de setembro de 2013, é inaugurado o Museu do FC Porto BMG, porém só abriu oficialmente ao público no dia 26 de outubro do mesmo ano.

O Clássico (FC Porto vs. Benfica)

A rivalidade entre Lisboa e Porto já se fazia sentir antes das existências destes dois clubes. O FC Porto começou a sua história no topo, conseguindo uma vitória de 8-0 em 1933 para o Campeonato de Portugal, a maior que conseguiu até hoje. Porém, esta partida foi fruto de muitos protestos por parte do Benfica, pois o clube não tinha sido informado sobre a alteração da hora do jogo. No final do jogo, dois jogadores do Benfica agrediram o dirigente da Federação Portuguesa de Futebol, e ambos foram suspensos. A seguir à segunda mão, os dois clubes cortaram relações, até 1935, quando os dois clubes voltaram a entrar em paz com um amigável. O cenário do FC Porto enquanto melhor equipa portuguesa rapidamente se inverteu, cabendo às águias o estatuto de "maior clube de Portugal". Em 1943, o FC Porto é derrotado por 12-2 no campeonato, naquele que foi a maior derrota de sempre contra as águias. Foram tempos negros para o clube azul e branco, mas a amizade entre os dois ia-se aprofundando mais. Um exemplo foi o convite ao Benfica para a inauguração do Estádio das Antas em 1952, e dois anos depois a inversão dos papéis. Mas a pacífica relação não se ficou por aí, quando o FC Porto admitiu o Benfica como Membro Honorário do clube, após a aceitação do convite. O FC Porto também foi eleito Membro Honorário do Benfica a 11 de março de 1955, pela mesma razão. O Benfica dominava o futebol nacional, e começou a ser reconhecido internacionalmente com a conquista de duas Taças dos Clubes Campeões Europeus, e a presença em várias finais da mesma competição. Com a chegada de Jorge Nuno Pinto da Costa e de José Maria Pedroto ao clube portuense, a história inverteu-se e a rivalidade foi ficando mais forte com as conquistas do FC Porto, tanto nacional como internacionalmente. Em 1986-87, quando o clube portuense estava prestes a contratar Ademir, do Vitória de Guimarães, o Benfica desviou o jogador para a Luz. Com efeito, no ano seguinte o FC Porto contratou dois jogadores ao Benfica, e por consequência os dois clubes cortaram relações institucionais. "O Clássico" tornara-se a maior rivalidade de Portugal até aos dias de hoje.

O FC Porto venceu 87 jogos, empataram 55 e o Benfica venceu 83, em competições oficiais. O portista em que mais jogos atuou contra o Benfica foi João Pinto, com 51 partidas disputadas. Os três atletas com mais golos frente ao rival foram Fernando Gomes, Pinga e Monteiro da Costa, cada um com dez golos marcados.

Rivalidade com o Sporting

A rivalidade entre leões e dragões começou na finalíssima do Campeonato de Portugal, em que o FC Porto venceu o Sporting por 3-1, dando assim o título ao clube azul e branco. A partir daí, os leões cortaram relações com os portistas, mas em janeiro de 1924, dirigentes de ambos os clubes selaram a paz com a disputa da Taça Soares Júnior. No fim, ganhou o Sporting por 2-1, onde, ainda antes do jogo, presidentes dos dois clubes trocaram ramos de flores. Em 1936, o FC Porto vence por 10-1, naquele que foi a maior vitória sobre o Sporting. No ano seguinte, o Sporting devolveu a proeza e bateu o FC Porto por 9-1, tornando-se na maior derrota de sempre contra os leões. A era dourada para o Sporting começou a partir dos anos 40, superiorizando-se ao FC Porto por muitos anos. Jorge Nuno Pinto da Costa tornara-se no novo presidente do FC Porto em 1982, e os papéis inverteram-se, enriquecendo o palmarés do FC Porto com títulos nacionais e internacionais. O FC Porto é agora favorito sempre que defronta o Sporting em casa. A 5 de junho de 2013, o Sporting informou que iria cortar novamente relações institucionais com o clube.

O FC Porto venceu 79 jogos, empataram 61 e o Sporting venceu 76 em competições oficiais. O futebolista com mais jogos disputados frente ao Sporting foi Virgílio, com 39 jogos disputados. Pinga foi também o jogador que mais marcou ao Sporting, com treze golos marcados.

Emblema

Em 1906, é criado o primeiro emblema do clube, que consistia numa bola de futebol azul com as iniciais "FCP". Mais tarde, na Assembleia Geral de 26 de outubro de 1922, é aprovado o novo símbolo do FC Porto, desenhado pelo artista gráfico e também jogador do clube, Augusto Baptista Ferreira, mais conhecido por "Simplício". Este novo logótipo representa uma simbiose do antigo emblema com as armas da cidade do Porto. A bola azul representa a modalidade mais antiga do clube. D. Maria II atribuiu armas à cidade do Porto em janeiro de 1837: um escudo esquartejado com as armas reais (sete castelos e cinco quinas) no primeiro e quarto quartéis, e as mais antigas armas da cidade do Porto. No segundo e terceiro quartéis, um coração, que representa o legado que D. Pedro IV deixou à cidade. Daí a presença das armas no logotipo do clube. O Colar e Grã-Cruz, da Antiga e Muito Nobre Ordem da Torre e espada de Valor Lealdade e Mérito, do qual pende a respetiva medalha, encontram-se presenciados à volta das Armas. Por fim, a Coroa Ducal e o dragão negro do poder, eram pertencentes às antigas armas dos Senhores Reis destes Reinos, em cujo pescoço está uma fita com a palavra Invicta, nome que D. Maria II atribuiu ao Porto.

Recordes do clube

A maior vitória de sempre foi de 19-1, fora contra o Coimbrões para o Campeonato Regional do Porto no dia 22 de janeiro de 1933, e de 18-0 em casa contra o Ginásio Lis a 3 de abril de 1932 para o Campeonato de Portugal. A maior vitória no primeiro escalão foi de 14-0, contra o Leça a 22 de fevereiro de 1942. A maior vitória na Taça de Portugal foi contra o Sanjoanense, a 30 de maio de 1943, por 15-1. Nas competições europeias, a maior vitória da equipa foi de 9-0 contra o Rabat Ajax a 17 de setembro de 1986, para a 1ª eliminatória da Taça dos Clubes Campeões Europeus de 1986-87. A maior derrota de sempre foi contra o Sporting por 9-1, em Lisboa, a 4 de abril de 1937 para a Primeira Divisão Experimental. A maior derrota na Taça de Portugal foi de 7-0 em Setúbal, contra o Vitória, a 13 de junho de 1943. Na Europa, a maior derrota de sempre foi contra o AEK de Atenas para a Taça dos Campeões Europeus a 13 de setembro de 1978.

O jogador que marcou mais golos no clube em competições oficiais foi o português Fernando Gomes, tendo marcado 352 golos em 455 jogos nas 13 épocas ao serviço do clube (1974-1989), obtendo assim uma média de 0,77 golos por jogo e 27,1 golos por época. Gomes foi também por seis vezes o melhor marcador do campeonato (totalizando um total de 288 golos no clube para a liga), e por duas vezes o melhor da Europa. O segundo melhor marcador foi Pinga, com 314 golos marcados. O defesa que mais golos marcou na equipa foi Zé Carlos. O brasileiro marcou 26 golos em seis épocas no dragão em 1989-90 e entre 1991 e 1996. Vítor Baía, antigo guarda-redes do clube, foi o atleta que mais títulos venceu da Primeira Divisão, com dez troféus conquistados. O portista que mais jogou na equipa principal foi João Pinto, com 587 jogos entre 1981 e 1997. João Pinto é também o jogador que mais jogou na seleção enquanto portista, tendo-se estreado em 16 de fevereiro de 1983 contra a França e jogado 71 partidas. Os jogadores que mais jogaram numa só época foram Vítor Baía (1990-91), Drulović (1999-00), Hulk e João Moutinho (ambos em 2010-11), os quatro com 53 jogos. O primeiro portista internacional foi Artur Augusto, cuja estreia aconteceu a 8 de dezembro de 1921. A aquisição mais cara de sempre foi a do brasileiro Hulk, tendo o FC Porto pago 19 milhões de euros. Curiosamente, a saída dele para o Zenit São Petersburgo foi também a venda mais alta de sempre do clube, juntamente com Radamel Falcao, tendo rendido 40 milhões de euros em 2012 e 2011 respetivamente.

A maior assistência no Estádio das Antas aconteceu em 1980, quando 59 327 espectadores foram ver a equipa jogar contra o Benfica. A maior assistência no atual Estádio do Dragão foi de 50 818 espetadores, contra o Desportivo da Corunha em 2003.

Títulos conquistados pelas equipas principais de futebol
 Campeonato de Portugal – 4 – Recorde
1922, 1924-25, 1931-32, 1936-37
 Primeira Liga – 27
1934-35, 1938-39, 1939-40, 1955-56, 1958-59, 1977-78, 1978-79, 1984-85, 1985-86, 1987-88, 1989-90, 1991-92, 1992-93, 1994-95, 1995-96, 1996-97, 1997-98, 1998-99, 2002-03, 2003-04, 2005-06, 2006-07, 2007-08, 2008-09, 2010-11, 2011-12, 2012-13
 Taça de Portugal – 16
1955-56, 1957-58, 1967-68, 1976-77, 1983-84, 1987-88, 1990-91, 1993-94, 1997-98, 1999-00, 2000-01, 2002-03, 2005-06, 2008-09, 2009-10, 2010-11
 Supertaça Cândido de Oliveira – 20 – Recorde
1981, 1983, 1984, 1986, 1990, 1991, 1993, 1994, 1996, 1998, 1999, 2001, 2003, 2004, 2006, 2009, 2010, 2011, 2012, 2013, 2014.
 Supertaça Europeia – 1
1987
 Taça UEFA/Liga Europa da UEFA – 2
2002-03, 2010-11
 Taça dos Clubes Campeões Europeus/Liga dos Campeões da UEFA – 2
1986-87, 2003-04
 Taça Intercontinental – 2
1987, 2004

sábado, 26 de abril de 2014

A CASA DO PENEDO

Casa do Penedo situa-se na freguesia de Várzea Cova, concelho de Fafe, na região norte de Portugal, e deve o seu nome ao facto de ter sido construída entre quatro rochas de grandes dimensões que integram a própria estrutura da casa.
Esta edificação localiza-se na Serra de Fafe, 10 km a nordeste do centro da sede de concelho, em direção a Cabeceiras de Basto.
A sua construção foi iniciada em 1972 e durou cerca de dois anos, tratando-se de uma residência rural, utilizada pelos seus proprietários como destino de férias.
Completamente integrada na sua paisagem rural envolvente, a sua construção é inteiramente feita em rocha, à excepção das portas, janelas e telhado.
O interior apresenta também um estilo rústico, com a mobília, as escadas e os corrimões feitos de troncos. O sofá, pensado ao estilo rústico, é feito em betão e madeira de eucalipto e pesa 350 kg, fazendo desta casa um local a visitar e que tem despertado a curiosidade de muitos turistas de todo do mundo, face à sua originalidade e beleza.
Não possuindo ainda qualquer instalação eléctrica, a Casa do Penedo é um dos mais bizarros edifícios do mundo, sendo mesmo atualmente classificado como o mais bizarro, tem atraído as atenções dos amantes da arquitetura, mas, infelizmente, também tem sido alvo de atos de vandalismo.

sábado, 15 de junho de 2013

Teorias da arte

Ao analisar objetos de arte é necessário atender à perspetiva valorativa que identifica a arte com a boa arte e a perspetiva classificativa que pretende distinguir a arte de não-arte.
Já na Grécia Antiga os filósofos tomaram consciência da importância e diversidade das artes e dos seus objetos, o que levou a filosofia à procura de critérios e parâmetros que permitissem definir a arte e distinguir os seus objetos restantes.
Consubstanciaram-se assim diversas teorias de arte, sendo mais relevantes historicamente, as seguintes:
- A teoria da arte como imitação, surgida na Grécia Antiga; - a teoria da arte como expressão, surgida no quadro do Romantismo, século XIX; - a teoria da arte como forma significante, já no início do século XX; - a teoria da indefinibilidade da arte, durante o século XX.
Platão e Aristóteles foram os primeiros a defender que toda a obra de arte é uma imitação.
Platão argumentava que a obra de arte é mesmo uma imitação de uma outra imitação, pois imita os objetos naturais, em si mesmo cópias, aparências ou imagens de Ideias, a verdadeira realidade.
Aristóteles também via na arte (de certo modo), uma imitação da natureza. Para Aristóteles, a imitação é natural do homem, a criatura mais imitativa do mundo. Segundo Aristóteles, o fim essencial da arte consistiria na imitação ou reprodução dos objetos tal como existem na natureza, e essa reprodução de acordo com a natureza seria uma origem de prazer.
Os críticos da teoria da arte como imitação argumentam que o homem que se limita a imitar natureza apenas mostra a sua habilidade, reproduzindo algo inútil e sem criatividade, reduzindo a arte a uma caricatura da vida.
Contrariando a ideia da imitação, consideram que a verdadeira arte é sempre uma transfiguração do real. Pela imaginação, sensibilidade e inteligência, o artista deforma o real, transformando a sua perceção imediata, criando novas formas.
Segundo José Régio (1901-1969), a expressão artística é expressão segunda, mediata e indireta, em relação à expressão vital na qual o artista corporiza as suas emoções, embora ambas tenham o mesmo conteúdo ou objeto que é o ser humano, e tudo o mais através dele. O objeto da expressão artística é o homem com as suas várias facetas: o homem animal, social, religioso e espiritual. Os nossos instintos, impressões, emoções, sentimentos, ideias, também são conteúdo, objeto, da expressão artística.
A expressão artística é dirigida, intencional, interessada, relativamente à expressão vital que é espontânea, reflexa, imprevidente.
Porém, a teoria da arte como expressão não é imune a críticas.
Para John Hospers (1918-2011), não será correto estabelecer que, à partida, a produção artística tem origem na experiência emocional, havendo talvez outros fatores e condições que estejam na origem da criação de obras de arte, pois alguns artistas negaram que a emoção comandasse os seus trabalhos criativos. Devemos considerar a qualidade das obras de arte decorrente das emoções que as originaram, quando afinal o mérito da obra assenta mais na sua harmonia interna? Segundo Hospers pode levantar-se a dúvida a respeito do conteúdo emocional de certas obras. Na arquitetura a expressão de emoções é claramente subordinada. E, por fim, se a arte tende a suscitar emoções no público, deverá suscitar todo o tipo de emoções. Apreciar uma obra que retrata o ódio, por exemplo, não significa necessariamente sentir, como espetador, essa emoção.
A teoria da arte como expressão, apesar de mais abrangente que a teoria da arte como imitação, não é suficientemente objetiva para incluir muitas das obras de arte, nomeadamente as obras de arte contemporâneas.
A emoção estética que as verdadeiras obras de arte desencadeiam no público, decorre de uma qualidade de tais obras: a forma significante. Esta é uma teoria associada ao crítico de arte britânico Clive Bell (1881-1964), segundo o qual, tal qualidade diz respeito à relação existente entre as partes, notório sobretudo nas artes visuais, mas aplicável a qualquer outro tipo de artes: harmonia dos sons, combinação das cores, ritmo das palavras, cadência dos movimentos, sequências das cenas, etc.
Porém, esta qualidade das obras de arte é indefinível. Apenas pode ser apreendida de modo intuitivo pelos dotados de sensibilidade e inteligência e estas são condições da compreensão estética.
Encontrar e identificar a essência da obra de arte, que é, segundo Bell, a forma significante, é trabalho da inteligência que a emoção estética desperta. O objetivo da obra de arte é assim exibir a sua forma significante.
Analisar um quadro, do ponto de vista dos defensores da teoria da forma significante, é realçar a disposição das formas na tela, a relação entre as suas linhas e a utilização das cores, é verificar se tudo se combina de forma significante.
Esta teoria parece apoiar-se num argumento circular, quando se refere que a emoção estética resulta de uma propriedade destinada a provocar essa emoção no espetador, ou seja, a emoção sentida pelo espetador resulta de algo que produz emoção estética e nada mais se pode acrescentar.
Apesar de interessante e dos argumentos de que esta teoria permite explicar que uns sejam melhores críticos do que outros, pois intuem mais facilmente a forma significante, ela levanta algumas objeções.
Em primeiro lugar não consegue explicar em que consiste a forma significante, ela apenas pode ser intuída. Depois é um fraco argumento sustentar que os que não reconhecem a forma significante numa obra, são insensíveis. Outra argumentação dos defensores desta teoria é de que a forma significante é a propriedade que provoca emoções estéticas, mas à questão, o que são emoções estéticas, respondem que são emoções provocadas pela forma significante.
A compreensão da obra de arte, segundo Bell, exige a abstração do seu conteúdo, devendo concentrar-se a nossa atenção na forma significante, que está intimamente ligada à perspetiva designada por esteticismo ou arte pela arte.
Nesta perspetiva, a obra de arte deve situar-se exclusivamente ao nível da exigência estética, alheando-se de qualquer outro fim, seja ele moral, religioso, político, ou outro.
A arte convive intimamente com a cultura. O artista é influenciado pela sua cultura e contribui igualmente para ela. O campo cultural em que uma obra aparece é decisivo no que diz respeito à sua avaliação. A avaliação de uma obra de arte está dependente de critérios relacionados com a época histórica em que surge, não dependendo de qualquer norma intemporal e universal.
A teoria institucional da arte, que tem entre os seus defensores o filósofo contemporâneo George Dickie (1926), considera existirem dois aspetos comuns a todas as obras de arte, seja na pintura, na literatura, na música, na literatura, etc. Tais aspetos são:
a) Todas as obras de arte são artefactos, foram manipuladas por alguém. A simples exposição intencional de qualquer objeto numa galeria de arte é um passo para que venha a ser considerado uma obra de arte.
b) Todas as obras de arte têm esse estatuto porque lhes é conferido por pessoas que detêm autoridade suficiente para o fazer. Essas pessoas transformam os artefactos em obras de arte, através de processos que vão desde a exibição, a representação e a publicação dessas obras, até ao simples facto de lhes chamarem obras de arte.
É uma conceção muito flexível em relação ao que pode ou não ser considerado obra de arte e, apesar de algumas virtudes, é alvo de críticas.
Quase tudo se pode transformar em arte, bastando para isso o parecer de pessoas avalizadas. Dizer que determinado objeto é arte, é apenas classificá-lo como tal, sem qualquer apreciação valorativa. Se é boa ou má arte, é indiferente.
Por outro lado, uma vez que só é arte aquilo que um grupo restrito entende como tal, podemos ser levados a dizer que determinada obra é arte porque há pessoas que pensam desse modo e, se essas pessoas pensam desse modo, é porque essa obra é uma obra de arte.
Ainda, como afirma o filósofo Richard Wollheim (1923-2003), que se admita que pessoas ligadas ao mundo da arte têm capacidade para converter qualquer artefacto em obra de arte, deve haver razões para serem escolhidos uns objetos e não outros. Se há razões deverão ser essas a fixar o que é e o que não é arte, sendo inútil a teoria institucional. Se não há razões, então a arte será arbitrária, não possuindo qualquer interesse.
A teoria idealista da arte afirma que a verdadeira e autêntica obra de arte está apenas na mente do artista. Aquilo a que vulgarmente chamámos obra de arte é a tradução, numa expressão física, que o artista faz a partir da ideia ou da emoção que possui. Neste sentido, a obra de arte não existe do ponto de vista material.
Segundo esta teoria, as obras de arte não têm um fim específico, diferenciando-se dos meros objetos que pressupõem uma finalidade. Tal não significa que as obras de arte não possam também ser artefactos, mas que nenhuma obra de arte, enquanto tal, se reduz a um meio destinado a um fim.
Também esta teoria é alvo de críticas:
A perspetiva de que as obras de arte são ideias, em vez de objetos materiais e concretos, é estranha e de difícil aceitação. A música e a literatura, não se manifestando em suportes físicos que possam ser considerados obras de arte, ainda conferem algum sentido a esta leitura;
Defendendo que apenas são obras de arte genuínas aquelas que não têm fins específicos, exclui muitas obras que, tendo sido criadas para divertir, como peças de teatro, ou para abrigar alguém ou coisas, as obras de arquitetura, deixam, por isso, de ser belas obras de arte.
 “A relação real entre o artista e a sociedade mostra também (…) uma das conclusões da imagem contraditória da teoria artística idealista – tanto clássica como romântica. Os artistas são, como as outras pessoas da sua época, seres sociais, produtos e produtores da sociedade, quer dizer, nem pessoas completamente independentes e autocráticas, nem à partida, desenraizadas ou isoladas.” (Arnold Hauser, A Arte e a Sociedade, Editorial Presença, p. 45)
A arte é interpretação da sociedade e tanto pode corroborar como criticar uma determinada situação social ou certos valores de uma época. Esta possibilidade atribui à obra um certo valor social de intervenção. Arte militante.
A criação artística como expressão social está patente na variedade de estilos, formas, matérias e temas que marcam as épocas das obras de arte.
As relações entre a arte e a sociedade são recíprocas e dinâmicas. Tanto o campo social influencia a produção artística, como a arte condiciona o contexto social. A repercussão social da arte, resultado do seu processo de circulação no seio da sociedade, permite conhecer o raio de ação do campo artístico sobre o campo social, o efeito (interesse, indignação ou indiferença) que a obra desencadeia no público e o seu consumo (interpretação e contemplação ou utilização da obra).
A arte pela arte é uma criação humana ligada exclusivamente a manifestações de ordem estética (beleza, revolta, harmonia, equilíbrio), concebida por artistas a partir da sua perceção de emoções, sentimentos, ideias e contexto atual, com o objetivo de estimular e comunicar com um ou mais espectadores, afastando-se de qualquer outro fim, seja ele moral, religioso, político etc.

Na arte militante os artistas, partindo da perceção das suas emoções, sentimentos, ideias e contextualização atual, estimulam a crítica social, procurando exprimir ideias e fins políticos ou ideológicos.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

O Benfica e o PIB


No dia anterior ao jogo FCPorto x Benfica para o campeonato nacional, um tal Sr. Mexia afirmou que seria importante que o Benfica vencesse, pois tal sucesso iria fazer aumentar o PIB. O Benfica perdeu mas o nosso PIB não desceu nem subiu por causa disso, como era de esperar.
Veio a final da taça da Liga Europa e eu dou por mim a pensar: meu Deus, se o Benfica perde é desta que o nosso PIB vai abaixo. Afinal, o Benfica perdeu, mais uma vez, e o PIB manteve-se impávido e sereno, teimando em não subir ou descer, mais descer do que subir, infelizmente, mas por outras razões que não as do pontapé na bola.
Ontem foi a final da Taça de Portugal, disputada, habitualmente, à porta de casa dos benfiquistas e eu pensei, - bem, eles desta vez, a jogar praticamente em casa, têm mesmo que ganhar, senão o nosso PIB vai mesmo ao fundo, e de vez!
Perderam novamente! Isto vai ser uma catástrofe – gritei eu!
A RTP1 sempre muito generosa no lançamento dos eventos em que intervém o Benfica, mais uma vez teve que engolir em seco. Possivelmente tinha muitos meios distribuídos um pouco por todo o país para mostrar a suposta euforia que grassaria por todo o lado, mas tiveram que recolher a penates.
Fui-me deitar, pesaroso, não pelo Benfica, claro, mas pelo país que se teria afundado completamente. Quando acordei pensei que estava morto, que estava tudo morto. Mas não, estava tudo na mesma. O País era o mesmo. As pessoas eram as mesmas. Só o Benfica é que não era igual. Estava mais em baixo. Tinha descido mais um degrau!

sábado, 25 de maio de 2013

Análise e compreensão da experiência estética


Estética é a disciplina filosófica que reflete sobre a arte e a beleza, centrando-se nos diversos aspetos a ela associados, como: a experiência e os juízos estéticos, e a criação artística.
A perceção sensorial é a origem da experiência estética da beleza e da arte, sendo muito variada ao nível das diferentes artes (pintura, escultura, literatura, poesia, teatro, música, fotografia, cinema, etc.) e no interior de cada uma delas, sendo as experiências que têm como objeto a beleza e a arte muito distintas.
Arte designa um conjunto de objetos ou práticas e Beleza é uma ideia ou ideal, pelo que podemos considerar como objeto de arte algo que não é belo e belo um objeto que não é arte.
Podemos desta forma distinguir três domínios da experiência estética:
- A contemplação do belo natural, a beleza da natureza;
- O processo de criação artística;
- A contemplação do belo artístico, a obra de arte e de outros objetos de produção humana.
A contemplação do belo artístico implica uma atitude estética de apreciação do objeto por si próprio, pondo de lado todas as considerações sobre a sua utilidade, valores morais inerentes à obra ou conhecimentos que possa transmitir. Sendo uma emoção pura e desinteressada, vivida através de perceções auditivas e visuais, a atitude estética, sendo contemplativa, não tem em vista qualquer fim prático.
O imaginário, a fantasia, não são domínio exclusivo da artista mas da humanidade e todos nós procuramos no sonho, no imaginário, alguma compensação para os nossos recalcamentos, e a arte dá-nos isso, embora nem todos consigamos disfrutar dela em pleno. O artista tem o poder de modelar determinados materiais na imagem fiel da representação existente na sua fantasia, e ligar essa representação a uma quantidade de prazer capaz de mascarar os seus recalcamentos, de dar aos seus sonhos uma tal forma de beleza que estes perdem o seu carácter pessoal, para se converterem numa fonte de prazer para os outros. A arte fornece-nos o meio de alcançarmos (novo) alívio e consolo nas fontes de prazer do próprio inconsciente.
O juízo estético é um juízo de valor ou de apreciação em relação ao belo, ou às categorias que lhe são afins, como resultado da experiência estética.
Há uma certa afinidade entre o belo e o verdadeiro, associando-se o juízo estético à sensibilidade e ao sentimento, não devendo ser confundido com o juízo científico, nem com o juízo prático.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

O UTILITARISMO (John Stuart Mill, 1806-1873)


Stuart Mill resume os conceitos de moralidade, utilidade, correção, felicidade e prazer no princípio da máxima felicidade para o maior número.
Para Mill, a moralidade das ações é avaliada pelas suas vantagens ou desvantagens, o que permite definir se uma ação é boa ou má, correta ou incorreta, pelas suas consequências, pela sua utilidade para o bem comum, proporcionando a felicidade e prazer para um maior número.
A definição utilitarista da felicidade é a máxima felicidade para o maior número. Do ponto de vista geral é este o fim último em função do qual todas as outras coisas são desejáveis, quer se considere o nosso próprio bem, quer o bem dos outros. No entanto, podemos ser colocados perante situações em que será difícil optar pelo bem do maior número em detrimento do menor. Perante a emergência de salvar um parente próximo de um acidente ou salvar três estranhos, dado que o padrão moral do utilitarismo defende que o certo é salvar os estranhos porque maximiza a felicidade, que atitude tomaríamos? Dependendo dos fatores circunstanciais de inevitabilidade, o nosso primeiro impulso será salvar o familiar. Como em tudo na vida, nada é perfeito!
Para Jeremy Benthan (1748-1832) a origem da felicidade era irrelevante e, apesar de acorrer com diferentes intensidades, era sempre do mesmo tipo. Stuart Mill estabeleceu uma distinção entre prazeres inferiores (físicos) e prazeres superiores (mentais), argumentando que uma pessoa que conheça ambos os prazeres, optará pelos segundos em detrimento dos primeiros, e é certo que quem conhece os dois lados dá primazia aos prazeres superiores.
Assim, Benthan podia calcular a felicidade tendo em conta a intensidade e duração: quanto mais intensos e prolongados forem os prazeres associados à ação, mais útil ela será, assentando o seu critério na quantidade. Já Stuart Mill distingue os prazeres assentes na qualidade, fazendo distinção entre prazeres inferiores ligados às sensações corporais e prazeres superiores ligados ao espírito (inteligência, imaginação, sentimentos morais) considerando, tendo em conta a sua qualidade, os prazeres superiores preferíveis aos inferiores, por serem mais dignos, justificando que aqueles que conhecem bem os dois tipos de prazeres podem identificar o que é preferível ao homem.

sábado, 6 de abril de 2013

Fundamentação da Metafísica dos Costumes (Kant, 1724-1804)


Dever é a necessidade de agirmos em conformidade com a lei moral que possa servir como princípio único à vontade de proceder sempre de maneira a que a minha máxima se torne uma lei universal.
A boa vontade não é boa nem é má apenas pela aptidão de alcançar o fim a que se propõe.
Se considerássemos apenas as ações do ponto de vista da razão, poderíamos encontrar contradições em relação à máxima que invalidariam a sua transformação em lei universal.
A ética kantiana é deontológica defendendo que o valor moral de uma ação reside em si mesma e não nas suas consequências.
O imperativo da moralidade assume uma forma categórica e há uma relação íntima entre a boa vontade, o respeito e a razão.
Agir moralmente é agir pelo sentimento do respeito que o dever me impõe, mas é essencial que a minha ação tenha um fundamento racional, que eu conceba racionalmente o meu dever para que a minha razão ordene a minha vontade.
As ações podem ser conformes à regra da moralidade, mas movidas por interesse ou vantagem pessoal e, desta forma, embora concordantes com a regra da moralidade, sem validade moral.
Por sua vez, as ações por inclinação são quase sempre contrárias, ou são tão-só conformes, à moralidade; ações em que pretendemos abrir exceções em nosso favor e, por isso, imorais.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

A Alegoria da Caverna (Platão, 427-347 a.C.)

Escrita por Platão há vinte e quatro séculos, permanece muito importante e atual para nós porque nos diz o que é a condição humana.
Na Alegoria de Caverna, Platão evidencia as razões de tanta confusão acerca da justiça – e outras coisas – e justifica a necessidade da educação na criação de um novo cidadão, sem o qual não será possível construir um mundo mais justo.
Nesta alegoria, um diálogo metafórico entre Sócrates e Glauco, Platão resume a sua visão de uma humanidade ignorante, presa às suas sensações, ao imediatismo e inconsciente da sua limitada perspetiva. Só através de uma longa e difícil caminhada, alguns (poucos) “privilegiados” conseguem escapar às amarras dessa “caverna” e vão descobrindo outras dimensões mais completas e reais - os objetos, a fogueira – e, já fora da caverna encontram a verdadeira realidade, a origem e a explicação de tudo o que existe.

sábado, 12 de janeiro de 2013

Temporalidade espacial




A revolução Industrial Inglesa é uma das melhores sínteses da rutura de um tempo social e consequente surgimento de uma nova temporalidade. Nas sociedades mais tradicionais e de maior predominância agrícola, a medida do tempo estava orientada pela tarefa. O tempo tinha um carácter muito mais qualitativo, orientado pelas atividades, mas a industrialização rompe com essa ideia. A introdução do “industrialismo” operou uma mudança que levou a que as tarefas executadas durante o trabalho passassem a ser controladas pelo tempo.
De forma determinante, a opção pelo tempo como medida de valor, vincula-o diretamente à questão do dinheiro. O tempo torna-se assim, uma moeda. A transformação operada na vinculação tempo x trabalho aponta para uma alteração de sentido em ambas as categorias. Se por um lado o tempo passa a ser visto como uma grandeza que deve ser controlada com rigidez, o trabalho também muda de perspetiva, já que o controle do tempo dedicado ao trabalho saído do ritmo natural que havia marcado as sociedades tradicionais passa a ser submetido a um tempo mecânico, controlado pelo relógio. O estabelecimento da indústria rompe com a relação próxima entre o tempo de trabalho e a própria vida. Um dado claro que acentua essa transformação pode ser pensado também com relação à espacialidade laboral. Nas sociedades pré-industriais não havia uma especialização entre o espaço de trabalho e o espaço privado. Tomando como referência os agricultores, havia uma contiguidade espacial entre o campo, que cultivavam, e sua habitação rural.
Dessa forma a indiferenciação espacial, ou seja, a contiguidade do território implica uma referência pouco relevante de distinção entre os tempos sociais que compunham as sociedades pré-industriais, uma vez que a proximidade permitia a alternância de ações de trabalho e de vida sem profundas ruturas.
O tempo é uma instituição social e cultural, que ultrapassa a compreensão do tempo astronómico e físico e se insere na ideia de expressão fundamental da vida social.