quarta-feira, 1 de abril de 2020

APONTAMENTOS SOBRE LOBÃO

Situada na metade setentrional do Município de Santa Maria da Feira, distrito de Aveiro, a uma distância de cerca de 12 km da sede do concelho, 24 km do Porto e 285 km de Lisboa, a freguesia de Lobão está rodeada a norte pelas freguesias de Sanguedo e Vila Maior, a sul por Guisande e Caldas de S. Jorge, a nascente confina com Gião e a poente com Fiães. Com cerca de 7,9 km2 de área, tem uma população de 5.483 habitantes para uma densidade de 693,2 hab/km2 (2011).

Em 1991 a freguesia foi elevada ao estatuto de Vila pela portaria 78/91, de 16 de agosto, em consequência da aprovação em reunião plenária da Assembleia da República de 20 de junho.

O brasão da freguesia tem a forma dum escudo encimado por quatro torres, ao centro o padroeiro protetor S. Tiago, e abaixo, em listel com fundo branco a legenda “Vila de Lobão”.

Pela lei nº 22/2012, de 30 de maio, que consagra a Reforma da Administração Local e por proposta da Câmara Municipal à Assembleia da República, através da lei 11-A/2013, de 28 de janeiro, foi criada a União de Freguesias de Lobão, Gião, Louredo e Guisande, com sede em Lobão, abrangendo no seu conjunto 23,93 km2 de área e 9.860 habitantes (2011), com uma densidade de cerca de 412 hab/km2.

Pinho Leal refere no seu “Portugal Antigo e Moderno, Volume Quarto”, pág. 431:

«Lobão – freguesia, Douro, comarca e concelho da Feira, 285 kilometros ao N. de Lisboa, 24 ao S. do Porto, 7 a NE. da Feira.

Bispado do Porto, disctrito administrativo de Aveiro.

Orago S. Tiago, apostolo.

Em 1757 tinha 325 fogos.

O parocho era cura, que apresentava o reitor de S. Pedro de Canedo, e tinha de rendimento 180$000 reis.

Tem uma bella egreja matriz com elegante e alta torre.

Ha n’esta freguesia a capella de Santo Ovidio, muito concorrida em tres romarias que alli se fazem annualmente.

É terra bonita e fertil.

É difícil conhecer a origem e habitabilidade deste território, dado que são muito raras, ou mesmo inexistentes, as marcas arqueológicas, pelo que é especialmente com recurso à toponímia e etnografia que se pode vislumbrar a presença humana nesta região.

Não são conhecidos dados objetivos que possam fundamentar quando surgiu o topónimo Lobão, mas tem sido mais ou menos consensual que ele deriva do latim, mais precisamente de povoadores pertencentes a uma família Lobo (lupus). Em 906 surge como Lupon, em 967 como Lubon e, do derivado lupu com o sufixo aumentativo one, aparece um documento de 1055 em que se menciona a povoação como Lopone.

Também aparece o topónimo Lobão associado à teoria de que os povos repovoadores da reconquista, deram aos locais que escolheram para suas habitações, topónimos inspirados naquilo que de mais importante observavam à sua volta, como: a fauna, a vegetação, a hidrografia, a agricultura, a configuração do solo, as construções civis, militares e religiosas, etc. Deste modo, de acordo com esta teoria, Lobão refere-se a um aumentativo de lobo, o animal que infestava estas terras desde tempos imemoriais.

Uma outra abordagem sobre este topónimo pretende relacionar a sua origem com a identidade étnica maior dos Túrdulos Velhos (Turdeli Veteres), povo antigo dos Celtiberos, uma extensão dos Túrdulos que viviam no sul de Portugal (Algarve) e que acabaram por se estabelecer na região costeira ao longo das bacias do Vouga e Douro. O seu centro religioso terá sido Langobriga (ou Lancobriga), no Monte (Redondo) de Santa Maria, Fiães (Castro de Fiães). Para estes povos, o lobo era considerado como seu antecessor comum e seu «deus» maior, e, desde o tempo da recoleção, o seu comportamento e forma de viver foi influenciador da vida humana. Eram-lhe reconhecidas grandes qualidades: resistência, perseverança, força, astúcia, capacidade de comando, lealdade, etc. Daí a sua adoção como ser originário e divinizado.

A presença destes povos entre Douro e Vouga por volta dos anos 500 a.C., permite-nos atestar a habitualidade desta região.

Estes povos organizavam-se em grandes espaços, onde se salientavam grandes povoados com o papel de lugares centrais em relação a um grande conjunto de pequenos castros fortificados, espalhados por locais estratégicos e que defendiam as principais vias de acesso à região. Por esse tempo, a área de Lobão e vizinhanças, faziam parte de casais isolados (pagi=aldeias), que viviam sob a égide dos castros de Fiães e Romariz.

Com a chegada dos romanos, a população local, embora continue a centrar-se na urbe, foi-se distribuindo de forma diferente; posições fortificadas (urbs, oppidum), cidades, castelos (castrum), aglomerados de casas, explorações agrícolas, etc. Lobão continuou enquadrado no castro de Romariz, cabeça da cividade com o mesmo nome.

No período das invasões visigóticas, séculos V e VI, e depois dos árabes no século VIII, mantiveram os limites territoriais das propriedades e muito especialmente devido à arrecadação de impostos.

A seguir à invasão árabe, dá-se a reconquista, e é a partir daqui que começa a dar-se o fracionamento dessa propriedade, inicialmente distribuída entre os reconquistadores (rei, nobres e camponeses livres-colonos).

É neste contexto que surge a primeira referência documental conhecida com alusão a Lobão, datado de 1055, num documento de permuta, no qual Diogo Donaniz troca com Donna Emento Gondezendes, as suas herdades sitas nas vilas de Serzedo, Serzedelo e Espinho ou, caso não seja possível, as de Nogueira, Guisande, Lagoa e a sua quarta parte de Lobão, mais XX soldos de prata, menos um alize (?), recebendo a quarta parte da vila de Iniesta [Gesta, Mozelos (?)]. (doc. 396, ano 1055, Portvgaliae Monvmenta Historica – Diplomata et Chartae, Vol. I, Fasc. II, pág. 242):

«CCCLXXXXVI

Pactum permutationis bonorum immobilium in villis de Cercedo, Cercedelo et Espinho, alii bonis pro illis in villa Jenesta datis. Charta autographa, ex qua sumpsimus, ad Monasterium Morariense pertinens, in Publico Archivo custoditur.

1055

Christus. In domini domini (sic) nostri ihesu Christi ego famulus dei diagu donaniz plagui mici per bone pacis et uoluntas ut contramutamus ad ubis ad a dona ermento gumdesindiz … nostras ereditates unas cum allias de uila de sercedo et de cercedelo nostra ratione quantaque ibi aduimus et de uila de espinu nostra ratione quamtacuntaque ibi abuimus. et sit illa non potueritis deuendigare intrequemus uobis in noquera et in grisandi et mea ratione de lagona et mea quarta de lapone damus uobis ilas uilas de durio in uauga que in carta resonat et xx solidos de ariento menos unu de alize adueatis uos ilas uilas que ad uobis contramutamos con quamto ibi ad prestitum ominis est. aduetis uos et omnis posteratis uestra. et sit aliquis omo uenereti uel uenerimus et nos non uoluerimus autorigare como pariemus illas ereditates dublatas quanto ad uobis. et adcepimus de uos quarta de uila de iniesta. nobis bene conplagui perpetim aduiturum. facta cartula notum die erit Era millesima LXXXXIIIa x post ckalendas decenber. diagu donaniz in cartula manu mea ro+.

qui preses fuerunt tutesindu test. pelagiu test. menendo test. uermudu test. froia test. mendo pelagi notui.»

Num outro documento, este de 1079, aparece já definida a posição geográfica de Lobão, a norte do castro da Portela de Romariz, território Portucalense, águas vertentes de rio Uíma que lhe fica a poente. Trata-se de uma carta do mosteiro de Pedroso, onde consta que, Vimara vende a Gonçalo Viegas a herdade que possui em Lobão, pelo preço de XV moios. (Portvgaliae Monvmenta Historica. Diplomata et Chartae, Vol. I, Fasc. III, pág. 342):

«DLXV

Pactum venditionis praedii in vila de Lobão. Charta autographa, ad Monasterium Petrosense pertinens, e tabulario Coninbricensis Universitatis in Publicum Archivum delata, ibi servatur.

1079

Christus. In dei nomine ego uimara plagiu mici per bone pacis et uoluntas ut uindo ad uobis guisalo uenegas eredatate mea que abeo in uila de lobom de parte de mater mea mediadate ad integro uibi illa potuerittis inuenire cun omnia sua bona quantu in se obtinet et ad ominis adprestidum est subtus kastro portella teredorio portugalens discurente ribu umia. et acebimus de uos in precio xv modios tantuum nobis bene conplagui et siat de nostro iuri abrasa et in uestro iuri tradita. Auetis uos illa firmiter et omnis posteritas uestras et si anc ueneri uel eunerimus contra anc factum nostrum kartula ad inrunpendum et in iudicio non autorgauerimus que pariemus illa eredidate dublada uel quantum fuerit meliorata. die eri pride kalendas abriles. Era MaCXVII. uimara ioaniz in anc kartula uendicionis manum mea ro+mus.

qui preses fuerunt – pelagio zendamiriz conf. – gudesteo test. menendo test. fromarigu test.

suario presbiter notuit.»

No período anterior à invasão árabe, até ao século VIII, os leigos não tinham poder nos templos. Na reconquista, para lá do fracionamento das terras, o tomador, ou conquistador de terras aos mouros, também contribuiu para o aumento da desorganização eclesiástica e civil que vinha já das invasões muçulmanas. Os novos pressores (conquistadores) iam construindo igrejas próprias nas suas propriedades, iniciativa que aumentou devido a certa acalmia que se verificou a partir de 1064, com a reconquista de Coimbra por Fernando Magno. Deste modo, a diocese perdeu o poder de apresentar, eleger padre, nas igrejas particulares. Já em finais do século XI deu-se a inversão desta tendência. Os bispos procuraram recuperar os direitos episcopais, por forma a fazer prevalecer o seu poder sobre todas as igrejas.

Se na reconquista as terras pertenciam ao rei por direito próprio, que as doava aos senhores da nobreza e ao clero, em recompensa pelo auxílio prestado, a nobreza, quer por via das transmissões sucessórias por casamento, quer por compra, foi aumentando o seu património. Porém, o clero, nomeadamente as ordens religiosas, foi quem mais bens obteve, não só proveniente das doações régias, mas também de compras ou permutas, assim como doações dos nobres e fiéis em geral, para beneficiarem, os doadores, da proteção de um senhorio eclesiástico contra as prepotências do fisco ou da nobreza, assim como participar das boas obras dos monges. Estas doações eram, em alguns casos, uma necessidade económica devido à falta de mão-de-obra, emigração, partilhas, etc., e doadas para, em troca, receberem com a respetiva família rendas, benefícios, etc., para além dos fins espirituais.

As inquirições ordenadas por D. Afonso II, continuadas por D. Afonso III e D. Dinis, fizeram parte duma estratégia de fortalecimento do poder do rei e centralização administrativa, com o fim de prevenir os abusos do clero e da nobreza em relação às terras, direitos e padroados.

É, pois, neste contexto, que no início do século XII (1101), Patrina Eriz e filhos fizeram doação à Sé de Coimbra, na pessoa do bispo D. Maurício, da quarta parte dos seus direitos na igreja de S. Tiago de Lobão, além de outros bens, ficando com o usufruto como colonos da dita sé. Esta doação insere-se na estratégia de parte da nobreza da Feira, de poder desempenhar cargos político-administrativos e ter acesso às terras de Coimbra (Mattoso, José; Krus, Luis; Andrade, Amélia. O Castelo e a feira. A Terra de Santa Maria nos séculos XI a XII, pág. 134). Pode, pois, inferir-se que nesta data já existia uma igreja em Lobão.

No ano de 1202, o direito de padroado de Lobão, que estava nas mãos de Diogo Martins e mulher Urraca Nicolau, foi cedido ao mosteiro de Grijó por 100 maravedis de ouro. O padroado veio a ficar à Mitra do Porto, por uma transação no ano de 1229, entre o bispo do Porto, D. Sancho e o mosteiro de Grijó. A parte daquele primeiro documento deveria ter passado com a anexação do território Conimbricense acima de Antuã. Apesar da doação, em 1284, os filhos de Pedro M. Brandão e Donna Sancha reivindicam, junto ao meirinho da Feira, o direito ao padroado da igreja de Lobão. Este opôs-se, e, em 1296, uma sentença arbitral, que já englobava outros contendores pela mesma causa, declarava que os cavaleiros não poderiam aposentar-se, nem comer, nem apresentar na referida igreja, devido à inexistência de quaisquer direitos. A partir de 1299, em virtude de transação entre o bispo do Porto D. Sancho e o seu Cabido com o prior do mosteiro de Grijó, o padroado da igreja de Lobão passou a pertencer ao bispo do Porto. Seguem-se várias disputas sobre o direito de apresentação entre o cabido e o bispo (1447 e 1471), mas a igreja de Lobão é anexada ao mosteiro de Canedo, em 1474, por este estar em crise. No início do século XVI novo litígio, num processo longo. Em 1631 o cabido fez a apresentação de Lobão e Canedo, a que se opôs a Mitra, mas foi confirmado o padroado ao Cabido, por sentença de 1634, e continuava esse direito em 1772.

Convém referir que os proprietários que construíam igrejas nas suas terras, detinham sobre elas o direito de propriedade, e, desde que se invocava o orago, o direito do senhor passava a direito de padroado hereditário, que consistia na escolha e apresentação de um padre, para confirmação do bispo. Com o tempo começaram os abusos, apoderando-se dos bens e rendas da igreja. Basicamente de regalias de comedoria, aposentadoria, cavalaria e casamento.

Nas inquirições de D. Afonso II (1220), surge pela primeira vez, oficialmente, a denominação de freguesia de Lobão (Arquivo Nacional, gaveta I, maço 7, nº 20):

«DE HEREDITATIBUS ORDINUM IN TERRA DE SANCTA MARIA

(…)

24) In villa de Palaçoos habet Petrossus J casale.

(…)

40) In frigia de Labom [habet] Eglesiola IX casalia, et totam ipsam eclesiam, Canedo VJ casalia, Petrossus J casale, Vila coua IIIJ casalia.

(…)»

Ou seja: 24) na vila de Palaçoos (lugar do Paço, algures por Cainha e Quintã), tem o mosteiro de Pedroso 1 casal; 40) na freguesia de Lobão tem o mosteiro de Grijó 9 casais e toda a sua igreja, o de Canedo 6, o de Pedroso 1 e o de Vila Cova (Sandim) 4 casais.

O padroado ia-se alargando de geração em geração, chegando os rendimentos a atingir, em especial nos mosteiros, números exorbitantes. Isto deu azo a sistemáticas queixas, que levaram D. Afonso III, pela lei de 1261, a intervir, reprimindo os abusos dos padroeiros particulares.

Lobão, ou Lobon, segundo se depreende da leitura das memórias da Ordem dos Templários, teve relações estreitas com a Comenda de Malta e foi chamada Comenda de Lobão em tempos muito recuados.

Neste contexto, Lobão foi pertença dos Templários em 1304, passando em 1319 para a coroa e desta para a Ordem de Cristo, no reinado de D. Dinis.

A freguesia beneficiou do foral concedido por D. Manuel I, em 10 de fevereiro de 1514, à Feira e Terras de Santa Maria. Em 1615 era avaliada em 470$000 reis. Foi cabeça da comenda nova. Em 1623 tinha como anexas as freguesias de Canedo e S. Vicente, e serão dessa altura os marcos divisórios colocados nas duas freguesias anexas.

Na Corografia Portuguesa – Tomo Segundo, pág. 166, do padre António de Carvalho, há uma referência que dá Lobão como sendo curato e comenda da Ordem de Cristo, que no século XVIII acusava a existência de 240 fogos. «Santiago de Lobaõ, Curado, & Comenda da Ordem de Christo, tem 240. visinhos.»

Depois do século XVIII aparece como curato da apresentação do reitor de Canedo, passando posteriormente a reitoria.

O historiador José Mattoso refere a existência de um denominado Castro de Lobão, situado, presume-se, para os lados da chamada serra de Gaeta. Faria parte de um conjunto de castros existentes na área; o de Fiães e o de Sanguedo, e serviriam como defesas da estrada vinda do sul para o norte, que percorreria o vale do rio Uíma. Há referência num sítio genealógico dedicado, entre outros, à família Príncipe da Silva, de Sandim, à existência de um convento de Lobão.

A vila de Palaçoos, que nas inquirições de 1220 vem referenciada como uma freguesia independente, na opinião de José Mattoso, não terá acompanhado o crescimento das comunidades em redor, acabando por ser absorvida por Lobão. De referir ainda que, dos vários núcleos que integravam a paróquia de S. Tiago de Lobão, constava a existência da aldeia de Lobão, como a parte mais antiga da antiga “villa” principal de Lobão, deixando esta denominação mais tarde, quando se passou a chamar Cimo de Vila.

Lobão estava referenciado por grandes espaços; Lobão de Susão (de cima) e Lobão de Jusão (de baixo), constituídos especialmente por vilas, casais, paços, quintãs, etc., os quais, ao longo dos séculos XIV a XVI se vão constituindo em pequenos lugares, que mais tarde vão ser anexados por outros de maior dimensão.

Porém, a partir do século XVIII, o crescimento demográfico ditou o inverso; surgiram novos lugares em função da sua desanexação de outros já considerados demasiado grandes. A estrada da Chá, que desde o século XI serviu de passagem aos peregrinos em direção a Santiago de Compostela, terá pressionado o povoamento, o qual se foi estendendo em direção aos lugares da Igreja e Corga, alargando-se a outras áreas; processo que foi marcando a paisagem humana, anexando ou individualizando os pequenos núcleos rurais.

Entre os séculos XI e XIII, eram proprietários de terras em Lobão: as ordens religiosas, a nobreza e o rei. O mosteiro de Grijó contribuiu muito para o desenvolvimento da freguesia, uma vez que os monges beneditinos foram, na época grandes inovadores das técnicas agrícolas e impulsionadores da economia em geral.

Relatos de 1940 dão conta que o recenseamento geral acusa a existência de 632 fogos, albergando 3.047 almas, com vocações e possibilidades diferentes. Neste ano foi reparado o edifício escolar dos Condes de S. Tiago de Lobão, a Junta mandou fazer a canalização da água para o chafariz do Lugar da Igreja, construção dos lavadouros e reparação da estrada Corga – Ponte da Chã.

Outros melhoramentos deveram-se a iniciativas de particulares: reconstrução da residência paroquial pelos habitantes da freguesia, auxiliados pela Condessa de S. Tiago de Lobão, ajardinamento do adro a expensas do padre Rufino Pinto de Almeida, reparação dos sinos a expensas de José Augusto de Oliveira. No sector de beneficência merecem especial destaque os nomes dos Condes de S. Tiago de Lobão e o Comendador Francisco Henriques da Costa.

G

A Ordem de Malta ou Cavaleiros Hospitalários, nasceu em 1113 (bula Piae Postulatio Voluntatis, Pascoal II), pela necessidade de assistência e acolhimento a peregrinos e viajantes, no contexto das cruzadas do Oriente. Oficialmente designada Ordem Soberana e Militar de S. João de Jerusalém, de Rodes e de Malta, esta ordem esteve muito ligada a Lobão. Já cá estava instalada no século XIII e era apresentada pela comenda de Rio Meão, como se constata das inquirições de D. Dinis, de 1288 (Ribeiro, José Anastasio Figueiredo de; Nova História da Ordem de Malta, Parte II, § CCVII, pág. 305):

«Resta mais lembrar como se achou no Julgado da Feira, na Terra de Santa Maria, e diceram mais em a freguezia de Santiago de Lobon, que na Aldêa chamada Bertal, ou Bretal, havia huma Quintãa, a qual era herdade da mesma Ordem de Malta (na Comenda de Rio-meão, em consequencia da Doação de Fr. Fernão Peres, já referida acima para o fim do § 145.) e de Martim Peres, que era homem lavrador; mas com tudo a traziam por onrra com toda essa aldeya, sem entrar nella o Mordomo, e só o Porteiro, ainda que pagavam a voz, coyma, e omezio: e isto em razão da honra, que tinha, quando era de filhos dalgo. Devassou-se pois tudo, salvo o do Hospital, mostrando os Privilegios, por que se defendiam: pelo que chegando João Cesar ao dito Julgado, em a freguesia de Lonbo (pela facil mudança, ou troca do til sobre hum dos õo) no logar chamado Bertal, ou Bercal, diz achou en esse Róól, que per iuizo tinham devassado a parte de Martim Peres; e por isso mandou da parte d’ElRei fosse devassada, e entrasse ahi o Mordomo &c., salvo se fosse de homem filho dalgo.»

Os Templários ou Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão, também conhecida como Cavaleiros Templários, Ordem do Templo, era uma ordem religioso-militar, fundada em resultado da Primeira Cruzada de 1096, estabelecendo-se originalmente no monte do Templo, onde existira o Templo de Salomão (atual mesquita Al-Aqsa), Jerusalém, e que veio para a Europa. Na Península participou ativamente na reconquista em apoio aos reis, sendo recompensada com doações e outros benefícios. Era comum o rei ceder aos Templários os rendimentos de igrejas ou mosteiros, transformando-os em comendas. Neste contexto, Lobão foi pertença dos Templários em 1304, passando em 1319 para a coroa e desta para a Ordem de Cristo, no reinado de D. Dinis.

Foi esta ordem muito invejada por parte dalgumas coroas europeias, devido à sua grande riqueza acumulada, sendo alvo de acusações falsas, que levaram à sua extinção no concílio de Viena de 1311. Os bens da ordem, em Portugal, corriam o risco de se perderem para o papa, e, D. Dinis, preocupado com estes bens, fruto das doações régias, reivindicou o direito de retorno. Criou para isso a Ordem de Cristo, reivindicando para esta os bens dos Templários em Portugal, o que o papa João XXII acabou por consentir pela bula «Ad ea exibus», de 14 de março de 1319, atribuindo à Ordem de Cristo a regra de S. Bento.

Ainda hoje são visíveis alguns marcos, com o símbolo da ordem dos Templários/Cristo em baixo relevo, que delimitam o território de Lobão com as freguesias limítrofes.

Economia

Como na generalidade dos povos, a agricultura foi a principal atividade económica da freguesia ao longo dos tempos. Pinho Leal, no seu Portugal Antigo e Moderno, refere-se a Lobão como «terra bonita e fertil», o que pressupõe propícia à atividade agrícola. Os romanos trouxeram novos processos e produtos, os árabes, pela introdução de novas técnicas de irrigação (noras e azenhas), deram-lhe maior incremento. Entre os séculos XI e XIII, face à melhoria das condições técnicas e ao aumento das áreas de cultivo (arroteamentos), deu-se novo aumento da produção agrícola. Produzia-se milho, trigo, centeio, linho, vinho, frutas, etc. Em complemento à produção de cereais, havia a criação de animais domésticos; de capoeira, suínos, ovinos, caprinos, bovinos, etc., e seus derivados; leite, queijo, manteiga, carne, peles e lã. Para além de suporte à alimentação, o gado bovino também era fundamental para os trabalhos agrícolas e para o transporte dos produtos. Com especial incidência a partir da última fase do século XVII até ao século XIX, Lobão manteve-se com bons índices de produção agrícola e de crescimento. Porém, na parte final já se notava algum decréscimo. As duas grandes guerras vieram alterar mentalidades e o panorama económico, com o ascendente da industrialização. Depois, as emigrações para a América e para a Europa, a guerra colonial, o gradual surgimento de novas atividades ligadas à indústria, comércio e serviços, levaram ao lento abandono das atividades agrícolas, e o panorama atual na freguesia é de abandono quase generalizado da agricultura.

Direta ou paralelamente ligadas à agricultura havia outras atividades que lhe eram complementares ou serviam de suporte; é o caso da moagem dos cereais, da transformação do linho, dos canastreiros, carpinteiros, pedreiros, ferreiros, etc.

O crescimento populacional fez aumentar o desemprego e a procura de alternativas, levando a que alguns encontrassem trabalho noutras atividades, como na reparação de estradas, nas pedreiras, etc. Uma profissão invulgar era a de pinhoeiro, que chegou a atravessar várias gerações. Era um trabalho duro e penoso, que consistia na apanha das pinhas de pinheiro bravo, ainda verdes e entre setembro e abril do ano seguinte. Deslocavam-se entre 3 a 4 pessoas em direção à serra, num raio de 20 km, a pé e com burricos de carga. As pinhas recolhidas eram, entre maio e agosto, colocadas a secar nas eiras, para se lhes retirar o pinhão, que depois era vendido. Outro método de granjear dinheiro era na indústria do breu. Consistia em retirar, das pequenas partes de cor avermelhada das toqueiras dos pinheiros anteriormente abatidos, o produto resinoso resultante da combustão, o qual servia para calafetagem dos navios e para acender o lume. As pessoas que se dedicavam a esta profissão eram conhecidas por breeiros. Epíteto por que, com o de pinhoeiro, eram conhecidos os habitantes de Lobão.

A atividade volfrâmica, no contexto da 2ª guerra mundial, teve algum impacto em Lobão. Ocupava lavradores, jornaleiros, desempregados, etc. Os lavradores mais abastados chegaram a utilizar máquinas a gasóleo/petróleo na exploração de poços. Foi uma experiência transitória e com pouco sucesso. Estes novos exploradores, «novos-ricos», foram responsabilizados pela alteração da ordem hierárquica tradicional e de serem grandes consumistas. Com o fim da guerra, a maioria acabou na miséria.

À semelhança do que acontece um pouco por todo o lado, atualmente estão instalados em Lobão alguns estabelecimentos industriais e comerciais, abrangendo várias áreas de negócio, exemplo: padaria, têxtil, metalomecânica, aquariofilia, malhas e confeções, etc.

Acessibilidades

Ao nível de acessibilidades, o território de Lobão é cruzado por duas vias importantes; as Estradas Nacionais nº 223 e 326. Estas vias permitem a ligação ao litoral, como ao interior, sendo Lobão um ponto de cruzamento entre estas vias e também um ponto de passagem para quem se dirige para Santa Maria da Feira e para os concelhos de Castelo de Paiva, Arouca e Gondomar. Posicionada entre a A1 e a A23, muito próxima do nó de acesso a esta, a situação geográfica da freguesia revela-se duma importância estratégica, quer a nível concelhio, quer a nível regional. Por Lobão circulam milhares de veículos que servem de suporte ao comércio, indústria, agricultura e serviços das freguesias do nordeste feirense e dos concelhos atrás citados.

Saúde, Educação, Cultura, Desporto e Ação Social

Ao nível da saúde, a povoação é servida por uma Unidade de Saúde, um Policlínica e uma Farmácia.

Ao nível da educação possui vários estabelecimentos de ensino, os quais permitem a formação desde jardim-de-infância até ao 3º ciclo de aprendizagem.

No domínio cultural há a registar as coletividades de recreio e cultura, como a Banda de Música de S. Tiago de Lobão (1916), Rancho Folclórico de S. Tiago de Lobão (1960) e Rancho Regional de S. Tiago de Lobão (1993).

No domínio desportivo existem: a Sociedade Columbófila de S. Tiago de Lobão (5/12/1967), a Associação Desportiva e Cultural de Lobão (21/3/1978 – futebol sénior, júnior, juvenil e iniciados) e Centro Incentivo Cultural (8/9/1981 – atletismo, badminton, futsal distrital e amador, ginástica de manutenção).

Socialmente são oferecidos serviços por duas instituições. A primeira é o Centro Social de S. Tiago de Lobão (3/8/1988), com serviços de Jardim de Infância, Creche, ATL, Centro de Dia e Apoio Domiciliário. A segunda é a Obra do Frei Gil (26/10/1957), que acolhe crianças sem família ou abandonadas e que funciona no Solar do Ribeiro, oferta do comendador Francisco Henriques da Costa.

Igreja Paroquial

A primitiva igreja paroquial de Lobão terá sido construção anterior a 1101, data em que Patrina Eris e família fizeram doação da quarta parte dos seus direitos à Sé de Coimbra. Possivelmente seria uma pequena capela, como era comum na época. Não se conhece o local onde foi edificada, mas presume-se que se situaria na área da atual, junto à estrada da Chã à Corga, o caminho dos peregrinos de S. Tiago. Patrina Eriz era casada com Paio Vitisciliz. Segundo Mattoso, a família Vitisciliz era oriunda do norte do Douro e terá participado na reconquista, acabando por se instalar na Terra de Santa Maria. Poderá ter sido a família de Patrina quem construiu a igreja, mas também não pode ser posta de parte a possibilidade de ter sido a família paterna de Patrina Eris, família Marnel, possivelmente seu tio Paio Gonçalves, que não teve filhos e doou os seus bens aos sobrinhos.

Quando da doação, já o orago S. Tiago tinha sido invocado. Terá sido esta igreja que marcou a criação da paróquia de Lobão que, acrescentado o orago ao topónimo da localidade, designava a paróquia, num processo comum no reino.

A escolha de S. Tiago como orago da freguesia parece ter assentado em dois fatores: estava-se num tempo de intensa luta contra os muçulmanos e Lobão era atravessado por uma via que, durante séculos, foi passagem de devotos de S. Tiago.

Sendo na agressividade da luta que se invocava muito S. Tiago, «o mata mouros», parece certo que sendo os libertadores destas terras os construtores da igreja, tenham elegido o apóstolo como patrono, recorrendo aos favores do santo protetor. Por outro lado, passando na localidade os peregrinos em direção de Compostela, era natural que fizessem as suas preces a S. Tiago na igreja que lhes ficava no caminho, e que a população tivesse adotado o santo como padroeiro.

As peregrinações tinham para o homem medieval, como principal finalidade, satisfazer as suas devoções de cristão, cumprindo promessas e remindo pecados, permitindo-lhe também alargar os horizontes limitados em que vivia, observando novas terras, entrando em contato com outras gentes e procurando a aventura na viagem.

Eram vários os caminhos destas peregrinações, os quais dependiam: do ponto de partida, dos santuários e dos lugares que os peregrinos escolhiam, ou que eram obrigados a passar. Um dos eixos viários mais importantes entre Coimbra e Porto, era a estrada romana, cujo traçado era praticamente o da EN-1. Porém, a parte final do percurso era difícil e bastante morosa. Assim, a partir de Souto Redondo (S. João de Ver), seguiam pela estrada que, desde a época romana, ligava a Feira ao Porto Novo (Canedo), passando por S. Jorge até Lobão, entrando pela Chã em direção à Corga, seguindo por Canedo, Carvoeiro e Lever. Só com o aumento da importância da cidade do Porto, a partir do século XIII, se passou a utilizar todo a trajeto até esta cidade.

No percurso das peregrinações havia várias casas que acolhiam os peregrinos, concedendo-lhes um leito para descansar e também uma refeição, ou os produtos para a sua confeção. Se tais locais já existiam, podiam obrigar ao desvio no trajeto, ou, se não, tais casas nasciam por iniciativa dos senhores locais. O topónimo «Albergada» pode ser referência a um lugar de Cimo de Vila, na estrada da Chã à Corga, que devia estar ligado à existência, nesta zona, de um local de repouso para os peregrinos, pelo menos entre os séculos XI e XIII.

Naturalmente que da primeira igreja, quer mesmo da segunda, já nada existe. O aumento populacional no país também se terá sentido em Lobão, havendo por isso necessidade de se construir uma nova. Nas inquirições de D. Afonso III (1251) refere-se que na freguesia de Lobão o rei tinha 3 casais em Paçô, governados pela igreja: «Item de freguesia de Lobom sunt tria casalia domini Regis que gubernant ipsam ecclesiam de Lobom in Paaciolo», e nas de D. Dinis (1288) é referido que D. Afonso III, seu pai, tinha doado esses 3 casais de Paçô para uma capela. Na época, capela podia ser qualquer igreja, mesmo paroquial, e, tendo D. Afonso III sido entronizado rei em 1248, a data da construção da nova igreja terá sido a partir dessa data. A documentação aponta para a sua edificação na envolvente da igreja atual, nos passais próximos com a “estrada que vai para Feira”. Seria constituída por capela e corpo da igreja.

Não se conhece a data exata da edificação da igreja atual. No seu interior, numa coluna do lado esquerdo do altar de Nª Sª de Fátima, está inscrita a data de 1646, que pode ser o marco da sua construção. Durante a segunda metade do século ainda a igreja estava em acabamentos e, pela sua envergadura, sabe-se que poderia levar dezenas de anos a sua construção. O local da sua edificação parece indicar algum afastamento em relação à anterior, e a mudança para a igreja nova ter-se-á dado antes de outubro de 1712, continuando a funcionar a velha para enterramentos. O primeiro registo de enterramento na nova igreja é de 23 de novembro de 1713.

Esta igreja atingiu grande fulgor ao longo do século XVIII. Era uma das mais belas da região. É notória a riqueza da talha dourada pertencente à transição do século XVII/XVIII. Com cinco altares; o altar maior onde está o Santíssimo Sacramento, com as imagens de S. Tiago, S. António e o Senhor Ressuscitado; o altar da Sª do Rosário com a sua imagem, S. José e o Senhor Morto; o altar de S.ta Ana; o altar de S. Sebastião com a imagem do santo, S. Francisco das Chagas e S. Francisco Xavier; o altar do Santo Cristo com a imagem de Cristo Crucificado, Nª Sª das Dores, S. João Evangelista e o Menino Deus. Existe ainda o altar de Nª Sª de Fátima, cujo douramento da sua talha foi feito cerca de 1959. Entretanto houve alteração de denominação de alguns altares, mudança de imagens entre eles e mesmo algumas foram retiradas.

A torre foi edificada em finais do século XVIII, princípios do século XIX, altura em que teve o primeiro relógio. No início do século XX cresceu em altura e de forma assinalável.

Gerida pelo comendador que se servia do seu grande rendimento, em meados do século XIX a situação da igreja era deplorável face à extinção da comenda, em 1825, e a alienação de grande parte dos seus bens, tendo passado a gestão para a responsabilidade da junta paroquial e do regedor. Apenas em 1859 se operou a uma enorme requalificação.

Os Condes de S. Tiago de Lobão também promoveram melhoramentos assinaláveis: refundição dos sinos (1894); reforma e estuque (1899); douramento geral da igreja e dotando-a de objetos de culto, compra de terreno, ampliação e reforma do cemitério, melhoramento das sacristias e construção do segundo andar (1907); compra de terreno, construção e mobiliário das escolas dos dois sexos (1911); compra da residência e passal (1917). Gasto superior a 16.000$00 (placa de homenagem da junta de freguesia, no exterior da sacristia norte).

Na década de 1980 a reforma consistiu na ampliação do lado norte, R/C e 1º andar, com 8 amplas salas para servir a catequese e encontros de grupos de pastoral.

Personalidades

    O Conde de S. Tiago de Lobão, Lino Henriques Bento de Sousa, era natural de Lobão. Nasceu a 19 de novembro de 1857 e faleceu a 13 de abril de 1921. Filho de uma família numerosa e proprietários médios, emigrou para o Brasil com apenas 13 anos. Como comerciante desenvolveu os seus negócios no Pernambuco, expandindo-se até S. Paulo, Rio de Janeiro e Santos, fazendo fortuna. Casou com Maria Albertina Saraiva de Sousa.

Recebeu o título de Visconde de S. Tiago de Lobão em 10 de março de 1906 e a 7 de março de 1908 foi publicado o decreto que o agraciou com o título de Conde (Nobreza de Portugal, volume III, págs. 306/307). Foi o último condado concedido por D. Carlos e o primeiro diploma assinado por D. Manuel II, em 22 de fevereiro.

֍

Merece também destaque neste pequeno apontamento o Comendador Francisco Henriques da Costa. Nasceu a 5 de janeiro de 1903 e faleceu em 30 de janeiro de 1975. Oriundo duma família abastada, nem por isso deixou de emigrar para o Brasil, empregando-se no hotel Avenida, no Recife. Aí amealhou economias suficientes para se tornar empresário e dono do próprio hotel. Lá casou e se divorciou sem deixar filhos. A parte final da sua vida foi um vaivém constante entre o Brasil e Portugal. Orientou as suas preocupações, em relação à sua terra natal, no melhoramento de infraestruturas e na ação social. Destaque para a eletrificação do lugar que o viu nascer (Ribeiro, 1950/51), construção do salão paroquial (1953), doação do terreno para uma nova escola com 6 salas de aula (1960), etc. Na ação social, desde 1937 fez distribuir a importância de 1.000$00 (soma considerável para a época) pelos pobres da freguesia, como consoada. Em 1946 ofereceu 4.000$00 para a cantina escolar para apoio às crianças das escolas, e, em 1957, doou o seu solar e quinta, no lugar do Ribeiro, à obra do frei Gil, para alimentar, instruir e ajudar as crianças abandonadas. Foi agraciado com honra de Comendador em 1960. Conheci o Comendador, pessoa com quem tive o privilégio de me relacionar em alguns momentos, no âmbito da pastoral do padre Adriano.

⚖

Uma outra personalidade da freguesia, foi figura quase lendária, mas por motivos bem diferentes. Trata-se de José Bernardino Tavares. Nasceu numa época em que era normal as crianças nascidas fora do casamento, por razões de ordem social ou pobreza, serem colocadas na roda das vilas, cidades, conventos, ou à porta de casas particulares abastadas. E assim aconteceu na manhã de 3 de fevereiro de 1822. À porta de Rosa Bernardina Tavares, no lugar da Igreja, estava uma criança do sexo masculino, envolta em trapos, dentro duma cesta e ao frio. Esta senhora acolhe-a e a adota como filho.

Rosa Bernardina era solteira, filha de importantes proprietários e irmã de Ana Bernardina, casada com José Oliveira Figueiredo, proprietário, médico e homem de grande intervenção cívica na freguesia. Um casal sem filhos. No entanto, a conduta deste médico e da família não eram as mais apropriadas. É no seio desta família de adoção que se vai moldar a personalidade desta criança, adquirindo traços comportamentais que irão influenciar as suas relações em sociedade.

Ainda com cerca de 17 anos (1839), é condenado juntamente com o seu tio e mais duas pessoas, por andar à pancada com uns vizinhos. Para não serem presos, tiveram que pagar fiança.

Tirando este facto, a sua vida não teve grandes sobressaltos até à morte da tia Ana (8/4/1850) e sua mãe adotiva Rosa Bernardina (20/10/1856), das quais foi herdeiro, com obrigação testamentária da tia de fazer os bens da alma, e, em conjunto com o padre da freguesia, distribuir 2.000 reis pelos pobres. Exigência que, associada a outros fatores, viria a criar futuros atritos entre ambos.

De facto, quando morre a mãe, acentuam-se os desentendimentos. O pároco, no assento de óbito, escreve: «Rosa Bernardina Tavares morre 80 anos, tem feito escritura a José Bernardino Tavares, cujo este não a quis apresentar talvez por se querer evadir os sufrágios com que foi onerado, de que fiz este assento e assino.»

De qualquer forma, em 1854, José Bernardino apresentava bens que faziam dele um dos maiores proprietários de Lobão.

Paralelamente à vida de agricultor, José Bernardino dedicava-se também aos negócios, e por aí começaram a aparecer queixas por incumprimento ao pagamento de dívidas contratadas.

As relações com o padre, José Caetano da Mota, da casa da Dona, foram-se agravando à medida que Bernardino se tornava um fora da lei. O problema também tinha a ver com dívidas ao padre, pois estaria em causa um empréstimo feito por Rosa Bernardina e José Bernardino, em 1850. Do púlpito, ou mesmo fora dele, o reitor censurava-o e ao seu grupo, gerando resposta imediata alguns: «tem chegado ao excesso de responder dentro da igreja de fazerem assuada, causando o maior escândalo, não respeitando o ato e a Casa do Senhor.»

O pároco também não era muito benquisto pelos seus conterrâneos/paroquianos, por se negar a determinados atos processuais.

Entretanto José Bernardino, em sua casa, na quinta que mais tarde se chamaria “Vale da Mó”, no lugar da Igreja, reunia-se assiduamente com o seu bando, que seria constituído por 8 a 10 pessoas. Na noite de 6 para 7 de janeiro de 1855 a casa do reitor é assaltada por arrombamento das portas à machadada e deitado fogo a 3 currais, que ficaram reduzidos a cinzas, resultando deles apenas paredes e restos de madeira queimados, cujos prejuízos foram avaliados em cinquenta mil reis. Feitas as averiguações, José Bernardino é detido a 21 de maio e, no dia seguinte, o tribunal da Relação do Porto acusa-o como um dos principais autores do crime. É julgado e condenado a 3 anos de prisão pelo tribunal da Feira. Interposto recurso para a Relação, saiu em liberdade sob fiança, em junho do ano seguinte. Continua os seus negócios, mas enfrenta novas dificuldades. Entre pedidos de empréstimo para remir execuções, hipotecas e penhoras, em 1859 estava novamente na cadeia da Feira, supostamente em consequência de nova ação movida pelo padre (27/2/1857).

Por razões de segurança é transferido para a cadeia da Relação (16/1/1861) e aí travou conhecimento com Camilo Castelo Branco.

Regressado da prisão, os anos 62/63 não terão sido agitados, mas em janeiro de 1864 é ferido em resultado do seu envolvimento em duas rixas. Mais tarde, na madrugada de 4 de abril, é encontrado morto, tendo-se apurado posteriormente, e baseado em relatos orais, que fora morto por estrangulamento. No registo de óbito, o padre José Caetano da Mota escreveu: «José Bernardino de 42 anos, filho natural de Rosa Bernardina Tavares, solteiro, lavrador, acompanhamento 10 padres, havendo 4 falta de missa; não constam disposições apesar de constarem vários filhos naturais. Apareceu morto, pelas 5 horas da manhã numa estrada que vai para Carvoeiro, entre o lugar da Corga e o lugar da Igreja desta freguesia de Santiago de Lobão.»

Da sua descendência, pelo que se conhece, teve duas filhas. Uma delas, a Margarida, herdou as suas propriedades, casou, e, levando uma vida de luxo com o marido, acabaram por vender todos os bens ao desbarato. O marido foi para o Brasil, onde morreu e ela acabou na miséria com os filhos, a mendigar para matar a fome.

Na memória coletiva do povo da região ficou a ideia de um homem valente que, à semelhança do José do Telhado, contemporâneo, roubava aos ricos para dar aos pobres.

O que me leva a resumir aqui a vida desta personagem, é o facto de ele se encontrar com Camilo Castelo Branco na Cadeia da Relação do Porto. Num pequeno capítulo em “As Memórias de Cárcere” Camilo descreve aquilo a que chama “uma historieta alegre”. Na base da historieta está o suposto romance entre o abade e a sua criada, e o feitiço de Bernardino, que levou ao rapto desta, culminando no assalto à residência do padre e a sua resistência heroica à prisão. Provavelmente o novelista não terá averiguado a veracidade dos factos e ter-se-á cingido ao relato de Bernardino. Depois, a imaginação e criatividade do escritor fizeram o resto. Estava Camilo bem longe de imaginar o fim trágico deste homem.

Camilo Castelo Branco terá encontrado em José Bernardino Tavares um homem bom. Talvez o tenha achado uma vítima das injustiças do Sr. Reitor, daí ter pedido a sua libertação ao rei D. Pedro V, em visita à prisão nessa altura, o qual anuiu ao seu pedido. D. Pedro morreu logo de seguida sem atender ao seu pedido, mas D. Luís, quando da sua aclamação, perdoou alguns meses e José Bernardino pôde regressar à liberdade antes de cumprir a pena.

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Como nota final quero apresentar os meus agradecimentos ao prof. Carlos Dias, autor de “Lobão – Terra do deus Maior”, de cujo livro retirei algumas notas que me permitiram compilar estes apontamentos.

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

TERRA DE SANTA MARIA

A TERRA DE SANTA MARIA era antigamente uma vasta região delimitada a Norte pelo rio Ave, que vai desde a sua nascente na serra da Cabreira, em Vieira do Minho, até ao Atlântico, em Vila do Conde, e a Sul pelo rio Caima, cuja nascente é na serra da Freita, indo desaguar no rio Vouga, junto a Sernada do Vouga. Pelo Este, os limites deste território eram o rio Arda, o qual nasce na União de Freguesias de Arouca e Burgo, indo entrar na margem esquerdo do Douro, em Pedorido, Castelo de Paiva, e o rio Sousa, que nasce em Friande, Felgueiras, desaguando na margem direita do mesmo Douro, na freguesia de Foz do Sousa, Gondomar. Pelo Oeste todo este território era banhado pelo Atlântico.
Mais tarde ao território que fica na margem direita do Douro passou a chamar-se Terra da Maia, compreendendo tudo o que fica entre o rio Douro e o rio Lima, de sul a norte, e o rio Sousa e o mar, de leste a oeste.
Esta denominação de Terra de Santa Maria, deu-se a partir da sua conquista aos mouros, nos séculos X e XI.
A povoação que deu início àquela que hoje se denomina de Santa Maria da Feira, ter-se-á iniciado com a fundação de uma colónia de galo-celtas, pelos anos 390 a.C., com o nome de Lancobriga ou Langobriga.
Presume-se que o chefe dessa colónia se chamasse Lanca, e dele tomou a povoação o nome. Na linguagem celta, Lancobriga significa povoação, ou cidade de Lanco.
Há porém quem ache a fundação desta povoação ainda mais remota, em 2084 a.C., e que o seu fundador foi Brigo, 4º rei de Hespanha, baseando-se unicamente na terminação briga, sem acrescentar qualquer outro facto por onde se prove tal antiguidade.
O que está provado é que briga é palavra céltica e que significa povoação, cidade, etc. Se briga, em alguns casos, indica povoação fundada por Brigo ou em sua honra; o que podia ser muitos anos depois da sua morte, na sua maior parte não exprime mais do que povoação ou cidade.
Também se afirma que a primitiva ocupação humana do sítio remonta à pré-história e que adquiriu relevância quando os Lusitanos lá ergueram um templo em honra da divindade Bandeve-Lugo Tuerœs.
A Feira era uma fortaleza militar e a tradição oral e escrita diz-nos que foram os mouros quem a fundou, mas o que parece não sofrer contestação é que quando estes chegaram ao local onde se encontra o castelo, já lá existia uma povoação, como o atestam inscrições romanas ali encontradas em 1912 e 1917, e ainda uma última em 1937, esta bastante deteriorada, não sendo, por isso, possível fazer a sua leitura. Estes achados parecem sugerir a existência de um templo; o que leva a crer que deveria o povoado ter uma certa importância. Depois a circunstância deste povoado estar no cimo de um outeiro; aliada à importância que forçosamente teria, faz-nos acreditar ter havido no local um castro ou castelo, para defensão dos moradores; o que induz que a fundação desta fortaleza seja obra dos romanos e não dos mouros, como refere a tradição.
Consta no manuscrito “Crónica dos Godos” que noticia a vitória de Bermudo III de Leão (1028-1037) sobre um chefe muçulmano em Terras de Santa Maria, uma referência a esta fortificação. Será deste período a construção da torre de menagem, com funções de alcáçova, protegida por uma cerca amuralhada, da qual apenas restam vestígios.
Como aconteceu em todas as povoações da Península, a Feira sofreu as consequências das constantes guerras da idade média, até que, cerca do século I, caiu em poder dos romanos, exaurida de forças, e quási reduzida a mulheres e crianças.
Porque os romanos achavam bárbara a terminação briga, esta foi latinizada em todas as povoações da Lusitânia, alterando-se para brica, e assim Lancobriga passou a chamar-se Lancobrica.
Próximo desta cidade passava a via militar romana, que de Mérida, então capital da Lusitânia, vinha a Conimbriga (Condeixa a Velha), Talábriga, Lancobriga; importante durante o domínio romano, e Cale (Gaia), e que conduzia até Bracara Augusta (Braga). Como era uma estrada necessitada com frequência de reparações nos pântanos por onde passava, tornando-se por isso muito dispendiosa, os árabes, no século IX, construíram uma nova via de Coimbra a Porto de Cale, pela cidade de Ӕminium (Águeda), seguindo um traçado muito idêntico ao da antiga estrada real, mais tarde estrada nacional 1, de Lisboa para o Porto, que durou muitos anos e também conhecida por estrada mourisca.
Pinho Leal situa Talábriga em Aveiro (Portugal Antigo e Moderno, vol 3, pág. 153 e seg.), mas também afirma que se diz que o seu primeiro assento “era onde hoje está a povoação de Cacia” no entanto tudo indica que esta povoação romana se situava em Cabeço do Vouga (Lamas do Vouga), na União de Freguesias de Trofa, Segadães e Lamas do Vouga, concelho de Águeda.
Por sua vez Lancobriga também não seria a povoação junto ao castelo da Feira, mas no Monte (Redondo) de Santa Maria (Castro de Fiães), freguesia de Fiães, no mesmo concelho de Santa Maria da Feira (cerca de 8 km da sede do concelho). Escavações efetuadas no local, em 1971, especialmente na área a nascente da capela de Nossa Senhora da Conceição, erguida aí mais tarde, permitiram colocar a descoberto uma zona bastante revolvida e algum espólio balizado cronologicamente entre os séculos IV e V dC, correspondendo a uma das fases de maior atividade registadas no sítio. Alguns indícios de fragmentos encontrados apontam para a construção inicial desta estação arqueológica em plena Idade do Ferro nesta região; a maioria dos artefactos encontrados aponta para o período relativo à ocupação romana. Sondagens efetuadas em 1980 permitiram localizar um troço da muralha erguida na primeira fase da ocupação do local, correspondente à idade do ferro.
Em O Arqueólogo Português – 1ª Série, Volume IV (1898), pág. 250, pode ler-se:
“219. Fiaes (Beira)
Sepulturas «mouriscas».
Freguesia de Santa Maria. Comenda da Feira. – «Algũas antiguidades se descobrem nesta freguesia como são as seguintes: No sitio da Capella da Senhora da Conceyção de que se faz memsam no interrogatório 13 se tem por virozimel ser povoação de Mouros; porque se achão pedaços de paredes de cantaria; muito tijolo, e muita cinza e carvões indicios de cozinhas. Algum dinheiro de cobre com figuras e outros crateres, cujos letreiros se não persebem e tambem se achou huma moeda de ouro do tamanho de hũa de dezasseis tostões.
Tambem se descobrem em outro oiteiro defronte da dita Capela enterrados debaxo da terra altura de dous palmos varias panellas e salgadeiras de barro vermelho, tapadas todas com louzas de pedra, todas com seus letreiros ao paresser de letra mourisca e dentro das tais panellas ossos e carvões, metais sem se saber que metal seja, pois tudo se acha quazi gasto; e dentro em alguns destes vazos se achavão copos de feytio de calis, e em hum se descobrirão mais de cincoenta vazos destes, de que hoje não ha nenhuns pois se quebrarão». (Tomo XV, fl. 411)”
No período do domínio romano e no princípio do gótico, Lancobriga pertencia ao bispado de Mérida. Ao ser criado o bispado de Coimbra, os godos retiraram do bispado de Mérida todo o território entre o Mondego e o Douro, e outras terras, para constituírem o novo bispado, ficando Lancobriga a pertencer ao bispado de Coimbra até 1195, passando então a ser do Porto.
Quando a Lusitânia foi invadida pelos povos do norte, Lancobriga ficou a pertencer aos Visigodos, vulgarmente designados Godos.
É muito provável que foram os godos os construtores do atual castelo, face à sua arquitetura e às suas seteiras em forma de cruz. As seteiras das fortalezas árabes eram em forma de um crescente.
Apresentando o castelo da Feira indícios de ser construção gótica, tal não quer dizer que foi construído nos três séculos do seu domínio na Península, uma vez que a arquitetura gótica sobreviveu por muitos séculos; no entanto supõe-se que quando os muçulmanos ocuparam a Feira, já o castelo existia.
Pensa-se que durante o domínio árabe, Lancobrica conservou o seu nome primitivo “Lancobriga”, não havendo provas do contrário.
À medida que os cristãos foram conquistando território aos árabes e tendo já conquistado toda a província do Minho até ao Porto, Afonso III de Leão concedeu aos seus cavaleiros todas as terras que resgatassem a sul do Douro, criando uma região administrativa e militar denominada Terras de Santa Maria, sendo a sua chefia numa fortaleza existente em Santa Maria da Feira, a Civitas Sanctӕ Mariӕ, que funcionou como base avançada da reconquista cristã e sentinela contra as invasões árabes vindas do sul. Esta região abrangia todo o território conquistado desde o rio Arda até ao mar e do rio Douro até ao rio Caima.
Em 990, no reinado de D. Bermudo II de Castela, o Gotoso, os condes Mem Guterres e Mem Lucídio, juntamente com os senhores do Marnel, estando a então Lancobriga abandonada e muito destruída, a reedificaram e povoaram de cristãos, reedificando também o seu castelo, estrutura importante, naquele tempo, para a sua defensão.
Na Corografia Portuguesa, sobre Vila da Feira, se diz:
“T R A T A D O IV, Da Comarca, & Ouvidoria da Feira. C A P I T V L O I. Da descrição da Vila da Feira. CINCO léguas da Cidade do Porto para a parte do Sul, e duas do mar Oceano para o Nascente, entre os dois celebrados rios Douro & Mondego, quási em igual distância de um e outro, em um ameno e salutífero Vale tem seu assento a nobre Vila da Feira, que povoaram pelos anos de 990. O Duque Mem Guterres e o Conde Mem Lucídio, juntamente com os senhores de Marnel, todos mui chegados em parentesco aos Reis de Leão, donde se chamaram Infanções antigos de Santa Maria, como se chama toda esta terra, de que foram senhores os Condes da Feira, que por muitos anos moraram no seu Castelo, que está em lugar iminente e foi fundação dos Mouros. (…) É esta Vila abundante de todos os frutos, caça, gado, carne de porco, linho, lenha e de regalado peixe. Assistem ao seu governo civil um Ouvidor Letrado, que apresentavam os Condes desta Vila, três Vereadores, um Procurador do Concelho, Escrivão da Câmara, um Juiz dos Órfãos com seu Escrivão e Porteiro, quatro Tabeliães do Judicial e Notas, Distribuidor, Inquiridor e Contador, um Meirinho, um Alcaide, e é da Provedoria de Esgueira. Ao militar hum Capitão-mor e Sargento-mor com treze Companhias da Ordenança da Vila e seu termo, que é mui dilatado…”
É esta a versão mais corrente, mas há quem afirme existir um documento de 897 em que aparece Mem Guterres como pai de Enderquina Pala e que Mem Lucídio figura em documentos de 1014 a 1050. Assim sendo, é impossível que juntos cometessem tal empreendimento. O mais provável é ter havido duas reedificações e não uma só.
O lendário guerreiro árabe Almançor, no ano 1000, por duas vezes invadiu a região, conquistou o castelo e arrasou a povoação, voltando sempre a ser reconquistada e reconstruída pelos cristãos, mantendo o seu nome de Civitas Sanctӕ Mariӕ.
Esta região foi de novo invadida no reinado de Bermudo III (1028-1037), mas foram os mouros desbaratados na batalha de Cesar, povoação que ainda hoje mantém esse nome e é freguesia do concelho de Oliveira de Azeméis. Também aqui há controvérsia, pois há quem aponte como data desta batalha o ano de 1045, mais exatamente a 10 de abril. O que parece certo é que Bermudo III faleceu em1037.
Durante muito tempo a Terra de Santa Maria foi zona de fronteira com os árabes. Depois da conquista de Coimbra (1064 ou1067), por Fernando I de Leão, o Magno, funcionou como “viveiro” de cavaleiros e peões que alimentava as tropas da frente sul, só possível pelo carácter permanente da organização militar instalada na Terra de Santa Maria.
Os descendentes de Mem Lucídio, de Mem Guterres e dos senhores do Marnel, ganharam o nobre título de infanções de Santa Maria, título inferior ao de rico-homem, equivalente a escudeiro, fidalgo que regia terras ou era guarda de castelos. Título que se atribuía aos filhos segundos e capitães das tropas dos Infantes, assim como se dizem Infantes aos filhos segundos dos reis.
No Portugal Antigo e Moderno, Volume Segundo, (pág. 351) se diz que o moçárabe D. Sisnando:
«Desgostoso com o emir (de Sevilha) entrou ao serviço de Fernando Magno, rei de Leão e Castella, e tanto se distinguiu pela sua intelligencia e bravura, que D. Fernando o fez conde (governador) das terras portuguesas ao sul do Douro, ás quais serviam de limite, pelo E. a linha de Lamego, Viseu e Cea, e de fronteira pelo SE. a vertente N. da serra da Estrella, cujo território formava então o condado de Coimbra.
Era também senhor das Terras de Santa Maria (hoje Terra da Feira).»
A Terra de Santa Maria era tida em tanta conta pelos reis de Castela e pelos primeiros Reis de Portugal, que todo o cavaleiro ali nascido tinha foros e privilégios de infanção e todos os peões tinham foro de cavaleiros. Os primeiros infanções que houve em Portugal foram os da Terra de Santa Maria.
Quando, em 1093, o conde D. Henrique tomou posse de Condado Portucalense, confirmou todos os foros e privilégios da Terra de Santa Maria e lhe deu foral em 1109, em que dava a esta povoação o título de vila. Este foral vem mencionado nas inquirições tiradas no mês de agosto de 1251.
Com a morte do conde D. Henrique, senhor do condado Portucalense, passou este a ser governado pela viúva D. Teresa, a qual se deixou envolver pelo fidalgo galego, Fernão Peres de Trava, que por sua vez estava ao serviço do arcebispo de Compostela D. Diogo Gelmires, assumindo na prática este Fernão Peres de Trava o governo do condado. Era intenção de D. Diogo Gelmires submeter o Condado Portucalense. Pouco a pouco a pequena burguesia portucalense foi sendo substituída por gentes da Galiza. Mais tarde este ataque económico e administrativo estendeu-se aos grandes senhores de terras e de poder, quer norte, quer a sul do Douro. As famílias Moniz: Ermígio, Mendo e Egas (de Riba Douro), Sousas (da Maia), Nuno Soares (de Grijó) e a família de Pero Gonçalves (do Marnel), famílias com vastas propriedades, quer no Alto Minho e Lamego, quer na Terra de Santa Maria, viram-se confrontadas com a ameaça de perderem cargos, prestígio e bens, em função de uma campanha, primeiro subtil e depois frontal, orquestrada do exterior.
Destas famílias tiveram destaque dois nomes: Ermígio Moniz e Pero Gonçalves do Marnel.
O primeiro era alcaide do castelo de Neiva ao tempo da revolta, mas antes tinha sido afastado do governo da Terra de Santa Maria e de alcaide do castelo. Era figura muito próxima do infante D. Afonso Henriques e irmão do célebre Egas Moniz, que também tinha sido afastado da Terra de Lamego. O segundo, Pero G. de Marnel, tinha sido substituído no governo de Coimbra pelo próprio Fernão Peres de Trava, e ao tempo da revolta (1127/1128) era governador da Terra de Santa Maria e alcaide do castelo. Fernão Peres de Trava passava assim a ocupar o governo de dois polos fundamentais do Condado Portucalense – o de Portucale e o de Coimbra.
A este movimento de revolta esteve ligado o infante D. Afonso Henriques, que também não via com bons olhos a situação e começava a temer o futuro que lhe estava a ser reservado.
Foi neste espaço geográfico delimitado por acidentes naturais muito fortes, que se desenvolveu um espaço económico muito importante, vivendo numa grande complementaridade de subsistência: as serranias davam-lhe a caça, a pastorícia e abundância de madeira. Os rios que a atravessavam e a extensa orla marítima, asseguravam-lhe a pesca. Nas planícies que se estendiam de leste para o mar era o cultivo de cereais e do vinho. Uma próspera zona de extração de sal garantia este elemento indispensável à conservação dos alimentos. A par disto, uma notável rede viária assegurava um comércio intenso num local de passagem obrigatório entre Coimbra e o Porto. Junto ao Castelo, a realização de grandes feiras comerciais acabou por dar o nome à povoação: Feira (já em 1117).
 Era um espaço militar muito forte apoiado numa organização militar permanente para defesa contra as incursões árabes e também um espaço cultural servido por dezenas de cenóbios e pelos grandes mosteiros de Grijó e de Pedroso, institutos religiosos que davam àquelas gentes, para além de um esquema de valores cristãos, a possibilidade de funcionarem como centros administrativos para a redação de documentos. Tudo isto, acabou por gerar um clima de "autossuficiência de vida" e "uma identidade peculiar", de que algumas linhas mestras perduram até aos nossos dias.
Esta pujança da sua vida económica, o poderio da sua força militar organizada e o estímulo do sentimento de independência, acabaram por desempenhar um papel decisivo na formação e consolidação da nacionalidade portuguesa com o levantamento coletivo que teve o seu epílogo na batalha de S. Mamede, em 1128. Os homens de Santa Maria avançaram para Guimarães – então capital de poder político – onde o infante D. Afonso já se encontrava a mobilizar as gentes daqueles sítios. Para lá se dirigiu, a norte do Douro e a partir do castelo de Neiva Ermígio Moniz.
Em socorro de Guimarães partiu Fernão Peres de Trava com as suas tropas, reforçado com as tropas galegas que se lhe juntaram no castelo de Lanhoso.
As forças em confronto defrontaram-se a 13 (ou 24?) de junho de 1128, saindo as forças portuguesas vencedoras. Esta batalha foi um marco indiscutível da nossa história, na sequência de um movimento independentista coletivo, abrangendo uma grande área de condado, quer a norte, quer a sul do Douro. Foi a tentativa galega de extinguir rapidamente este movimento latente, que acabou por precipitar a mesma independência. A grande importância que tiveram neste movimento militar as duas personagens fortemente ligadas à Terra e ao Castelo de Santa Maria: Pero Gonçalves de Marnel e Ermígio Moniz, é evidenciada por Alexandre Herculano (História de Portugal, 8ª edição, tomo II, livro I e II, 1ª parte, pág. 265-BNP) quando refere a carta de couto de S. Vicente de Fragoso, dado pelo infante (D. Afonso) a 4 de dezembro de 1127, “Há nele a circunstância de figurar entre os confirmantes Ermígio Moniz, o célebre conde ou senhor da terra da Feira e o personagem talvez mais influente na revolução do ano seguinte.”
A Terra de Santa Maria pode ser considerada como uma região que, no caso de ter estabelecido uma ligação preferencial a Coimbra, teoricamente teria inviabilizado a construção de um novo Reino. Associando-se a Portucale e garantindo o seu prolongamento em direção à mesma cidade de Coimbra, acabou por constituir o elo de ligação com ela. Por isto, bem pode dizer-se que a Terra de Santa Maria é a TERRA MÃE DE PORTUGAL.
É a partir daqui que Afonso Henriques se intitula rei de Portugal, vindo a sua independência a ser confirmada mais tarde pelos reis de Espanha e pelo papa.
Há, com data de 1 de junho de 1212, foral velho de D. Afonso II, que dá a Canedo (atual freguesia do concelho) o título de vila.
D. Afonso III concedeu foral à Feira em 1270, e D. Manuel I lhe deu novo foral a 10 de fevereiro de 1514. Este foral abrangia não só a vila, mas diversas povoações, e o seu título é: Foral das Terras de Santa Maria.
Sobre o castelo da Feira consta também que D. Dinis o doou à rainha Santa Isabel. As desavenças entre o rei D. Dinis e o infante herdeiro D. Afonso, aquando da sua revolta por causa do coirmão Afonso Sanches, levaram a que D. Afonso, entre outros, tomasse o castelo da Feira em 1322, sendo na altura alcaide-mor Gonçalo Rodrigues de Freitas. Com a intervenção da rainha-mãe, estas desavenças entre pai e filho foram sanadas com o juramento de lealdade do infante perante a mãe e muitos fidalgos, em Pombal, e depois, em maio de 1323, em Leiria, D. Dinis jurou aceitar as condições do juramento anteriormente feito. No Portugal Antigo e Moderno, Volume Segundo, pág. 236, o autor afirma que estas desavenças foram sanadas em Santarém, a 25 de fevereiro de 1325.
D. Fernando I fez mercê da Terra de Santa Maria ao irmão de D. Leonor de Teles, o conde de Barcelos, D. Afonso Tello. Após a morte de D. Fernando, este apoderou-se do castelo mas foi vencido por D. Gonçalo Coutinho, que se encontrava ao serviço do mestre de Avis. Mais tarde o mestre de Avis, já D. João I, rei de Portugal, fez mercê do castelo ao seu camareiro-mor João Rodrigues de Sá, depois confirmada a seu filho Fernão de Sá, por D. Duarte. Como Afonso Tello estava por Castela, D. João I doou todas as terras que lhe pertenciam (Terra de Santa Maria), a Fernão Pereira. Assim, na altura da doação, o domínio do castelo ficou separado do domínio das terras de Santa Maria. A posse do castelo era mais honorífica que de proveito e, por isso, a família Sá se foi desinteressando dele, deixando-o chegar a um estado de abandono. Perante isto Fernão Pereira terá instado D. Afonso V no sentido de o recuperar à sua própria custa, o que foi feito.
À criação do Condado da Feira foi atribuída a data de 14 de janeiro de 1452, por D. Afonso V, mas ao que parece tal não terá sido assim, pois Rui Pereira, depois D. Rodrigo Pereira 1º conde da Feira, teria então entre 21 e 24 anos, sendo ainda menor e estando ainda vivo seu pai, Fernão Pereira, senhor da Terra de Santa Maria. Não se encontra o registo da atribuição deste título, mas há uma primeira referência ao conde D. Rodrigo Pereira no alvará de 16 de maio de 1481, ainda em vida de D. Afonso V, alvará registado na Chancelaria de D. João II, livro 3º, folhas 43 v.
Uma outra versão nos diz que D. Afonso V entregou, em 1448, o castelo da Feira a Fernão Pereira, com a incumbência de o restaurar, sendo dessa época a imagem arquitetónica que apresenta hoje, e cerca de 24 anos depois, em 12 de janeiro de 1472, nomeou a Rui Pereira (depois D. Rodrigo Pereira) como 1º conde da Feira e senhor da Terra de Santa Maria. Ficam aqui estas duas versões até que as dúvidas se esclareçam.
A família dos Pereiras era o ramo primogénito do conde Mem Guterres, de sangue godo, e foram donatários da Feira. O castelo conservou-se na posse da família até ao falecimento do oitavo e último conde, pois este não deixou sucessão. D. Pedro II integrou-o nos bens da Casa do Infantado com as suas terras anexas, os quais, a seguir ao triunfo da monarquia liberal, foram vendidos em hasta pública (1837). A partir daqui entrou o castelo num período de abandono. Mais tarde, em 1881, foi classificado como monumento nacional.
Apesar de tudo, durante o período em que esteve votado ao abandono pelas autoridades, foi recebendo algumas benfeitorias de privados que se interessaram pela sua conservação, evitando-se a sua ruina completa.
Foram condes da Feira:
1º Conde – Rui Pereira – D. Rodrigo Pereira (1428-31†1486): 2º Conde – D. Diogo Pereira (1457-61 † 17/7/1509); 3º Conde – D. Manuel Pereira (1488 † 4/10/1552); 4º Conde – D. Diogo Forjaz Pereira (1514 † 26/11/1578); 5º Conde – D. João Forjaz Pereira (1563? † 15/5/1608); 6ºs Condes – D. Joana Forjaz Pereira de Meneses e Silva (1607 † ?) D. Manuel Forjaz Pereira Pimentel (? † ?/6/1647); 7º Conde – D. João Forjaz Pereira Pimentel (1628 † 4/6/1660); 8º Conde – D. Fernando Forjaz Pereira Pimentel (1629 † 15/1/1700).
O condado da Feira era um dos maiores e melhores de Portugal, dado que abrangia toda a Terra de Santa Maria, já então chamado vulgarmente Terra da Feira, embora oficialmente fosse, até 1834, Terra de Santa Maria.
A comarca da Feira chegou a ser uma das maiores do país. Uma parte pertenceu à correição de Barcelos e a outra parte à de Esgueira, passando depois toda para esta última, e mais tarde para a de Aveiro, pela transferência de corregedoria de Esgueira para Aveiro. Por fim formou uma corregedoria própria.
No recenseamento geral da população portuguesa, ordenado por D. João III, em 1527, a Vila da Feira com o seu termo pertencia à Comarca (hoje dir-se-ia Província) da Estremadura, e não da Beira.
Em 1834, a comarca de Feira tinha noventa e seis freguesias, algumas delas com mais de mil fogos. As comarcas de Oliveira de Azeméis, Estarreja e Ovar, foram formadas exclusivamente com freguesias da comarca da Feira, e Arouca absorveu as freguesias de S. Miguel do Mato, Fermedo, Escariz a Mançores.
A 7 de agosto de 1834, travou-se a batalha de Souto Redondo, no lugar do mesmo nome, no sítio denominado Airas, S. João de Ver, Feira, já nos finais das Guerras Liberais. Batalha travada entre as tropas liberais afetas a D. Pedro IV e as forças absolutistas de seu irmão D. Miguel. Nesta batalha o exército absolutista, comandado pelo general Póvoas, desbaratou completamente as tropas liberais, comandadas pelo conde e marquês de Vila Flor, mais tarde duque da Terceira, o general António José de Sousa Manuel de Meneses Severim de Noronha. Mas como perder uma batalha, não significa perder a guerra, esta Guerra Civil Portuguesa, que durou de 1828 a 1834, travada entre constitucionalistas e absolutistas sobre a sucessão real, terminou com a vitória dos constitucionais liderados pela rainha D. Maria II, com o apoio de seu pai D. Pedro.
Em Santa Maria da Feira esteve instalado, até 1834, o quartel do Batalhão de Caçadores nº 11, cujas tropas combateram nesta batalha ao lado das tropas miguelistas, para além de um regimento de milícias, capitão-mor, uma companhia de ordenanças, na vila, e mais sete no concelho.
Celebra-se em Santa Maria de Feira, a 20 de janeiro, a festa de S. Sebastião, também designada, festa das fogaças ou fogaceiras. Fogaças é uma espécie de pão doce e fogaceiras as meninas que os transportam.
Esta festa foi instituída por ocasião de uma peste que assolou todo o país, em 1500. Provavelmente foi a câmara e o povo que principiaram esta festa, como prece ao santo pela cura desta moléstia, porém, dizem também que foram os alcaides-mores que deram início a esta celebração. No entanto é tradição que foi intenção dos condes da Feira e que a peste cessou no dia em que se fez a festa, passando esta a ser realizada anualmente até hoje.
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O concelho de Santa Maria da Feira é um território economicamente muito dinâmico e de elevada densidade populacional, superior à média nacional e às regiões Norte e Centro, por virtude de um elevado grau de industrialização e proximidade à área do Grande Porto. Situa-se a sul da Área Metropolitana do Porto e na confluência de um importante conjunto de vias de comunicação, que garantem proximidade aos centros urbanos do Porto, Aveiro e Coimbra. Anteriormente Vila da Feira, com a sua elevação a cidade, em 14 de agosto de 1985, passou designar-se Santa Maria da Feira.
Pelo Censos da População de 2011, o concelho, com uma área de 213,45Km2, tinha 138.312 habitantes, sendo 18.194 os habitantes na cidade sede do concelho (União de Freguesias de Santa Maria da Feira, Travanca, Sanfins e Espargo).
Para além da sede, o concelho inclui mais duas cidades: Fiães e Lourosa; 12 vilas: Argoncilhe, Arrifana, Canedo, S. Tiago de Lobão, Mozelos, Nogueira da Regedoura, Paços de Brandão, Rio Meão, Santa Maria de Lamas, S. Paio de Oleiros e Souto.
O concelho de Santa Maria da Feira engloba um total de 21 freguesias: Argoncilhe; Arrifana; Escapães; Fiães; Fornos; Lourosa; Milheirós de Poiares; Mozelos; Nogueira da Regedoura; Paços de Brandão; Rio Meão; Romariz; Sanguedo; Santa Maria de Lamas; S. João de Ver; S. Paio de Oleiros; União de Freguesia de Caldas de S. Jorge e Pigeiros; União de Freguesias de Canedo, Vale e Vila Maior; União de Freguesias de Lobão, Gião Louredo e Guisande; União de Freguesias de Santa Maria da Feira, Travanca, Sanfins e Espargo; União de Freguesias de S. Miguel de Souto e Mosteirô.
O maior centro mundial de transformação de cortiça e a maior concentração nacional da indústria do calçado, encontram-se no concelho de Santa Maria da Feira, destacando-se também nas indústrias de metalomecânica, metalurgia, papel, cerâmica, lacticínios, puericultura, brinquedos e equipamentos para crianças.
Em termos turísticos, há em Santa Maria da Feira importantes motivos de natureza monumental e paisagística: destaque para o seu Castelo, exemplar da arquitetura medieval; as Termas das Caldas de S. Jorge, uma das melhores estâncias termais do país; o Museu Convento dos Loios; o Museu do Papel de Santa Maria e o Castro de Romariz.
Destaque especial para o complexo do Europarque e Visionarium, o Museu de Santa Maria de Lamas e Parque Ornitológico de Lourosa – Zoo de Lourosa, que reúne fauna proveniente dos cinco continentes e muitas espécies raras em vias de extinção, devidamente integradas no seu habitat natural.
Passa também este concelho pela forte aposta em atividades de interesse turístico-cultural: são exemplos a Festa das Fogaceiras, o Imaginárius – Festival Internacional de Teatro de Rua, com destaque espacial para a Viagem Medieval em Terra de Santa Maria, na qual se recriam espaços e episódios históricos da época.
Ordenação heráldica do brasão e bandeira:
Armas - Escudo de azul, castelo de prata lavrado de negro, aberto e iluminado de vermelho, quadrado, em perspetiva, com os ângulos exteriores formados por quatro torreões cobertos de cinco cones, sendo o maior o do centro. O centro do castelo é encimado por nuvens de prata, realçadas de azul, que sustêm uma imagem de Nossa Senhora com o Menino ao colo, vestida de vermelho, com manto de azul e resplendor de ouro. Coroa mural de cinco torres de prata. Listel branco com a legenda de negro: " SANTA MARIA DA FEIRA ".

Estandarte - Esquartelado de branco e vermelho, cordões e borlas de prata e vermelho. Haste e lança de ouro.
Referências:
Leal, Pinho – Portugal Antigo e Moderno – Volume Terceiro, págs. 153 a 158.
Costa, P.de António Carvalho da – Corografia Portuguesa, Tomo II, págs. 164 a 174.
http://ww3.aeje.pt/avcultur/Avcultur/ArkivDtA/Vol04/Vol04p141.htm
http://fortalezas.org/index.php?ct=fortaleza&id_fortaleza=1140
http://ww3.aeje.pt/avcultur/Avcultur/ArkivDtA/Vol19/Vol19p081.htm
http://ww3.aeje.pt/avcultur/Avcultur/ArkivDtA/Vol19/Vol19p095.htm
http://ww3.aeje.pt/avcultur/avcultur/Aveidistrito/Boletim31/Page55.htm
http://www.castelodafeira.com/Castelo.asp
http://ww3.aeje.pt/avcultur/avcultur/Aveidistrito/Boletim09/Page41.htm
http://www.patrimoniocultural.gov.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/73936