quarta-feira, 12 de março de 2025

S. GONÇALO DE AMARANTE

Nascido por volta de 1187 e falecido em 10/01/1262, de uma família de nobre linhagem, este sacerdote dominicano português goza de uma grande devoção popular que se irradiou no norte do país, sendo tradicionalmente invocado como S. Gonçalo de Amarante, embora apenas tenha sido beatificado.
Os seus primeiros estudos, como era costume à época, foram-lhe ministrados por um sacerdote, tendo depois, sob a proteção do arcebispo de Braga, cursado as disciplinas eclesiásticas na escola-catedral de respetiva Sé arquiepiscopal, acabando ordenado sacerdote e nomeado pároco de S. Paio de Vizela.
Devido ao seu ardente desejo de visitar os túmulos de S. Pedro e S. Paulo e os lugares santos da Palestina, obteve licença e partiu em peregrinação, passando por Roma e depois Jerusalém, demorando-se 14 anos, sendo substituído na sua paróquia por um abade seu sobrinho.
Afirma-se que no seu regresso, este sobrinho, além de o não aceitar e não reconhecer como o legítimo pároco, ainda o escorraçou, provando ao arcebispo de então e mediante falsidades, que o padre Gonçalo falecera, obtendo assim a nomeação como pároco da freguesia.
Resignado com a atitude do sobrinho, partiu pregando o evangelho, indo até às margens do rio Tâmega.
No local onde hoje se ergue o Convento de S. Gonçalo, Amarante, diz tradição que ergueu uma pequena ermida com a invocação de N. S.ª da Assunção, aí se recolheu e, como eremita, consagrou o seu tempo à oração e penitência, indo, de quando em vez, pregar nos arredores. Passou depois ao Convento da Ordem dos Pregadores, em Guimarães, obtendo o hábito e, feito o noviciado, admitido à profissão religiosa.
Durante a sua vida terá operado muitas conversões não se esquecendo de promover o bem-estar social do povo em vários aspetos. A construção de uma ponte em granito sobre o Tâmega, para a qual angariou pessoalmente donativos nas terras circunvizinhas e alcançando dos moradores mais abastados avultadas ajudas, foi uma das suas mais relevantes ações e o povo lhe atribui muitos milagres ligados a esta construção.
Gonçalo viveu ainda mais alguns anos dedicados à oração e pregação. O seu corpo foi sepulto na ermida que ergueu, continuando muitos milagres a serem atribuídos à sua interseção. A primitiva ermida foi depois substituída por uma igreja e, em 1540, D. João III determinou sobre esta erguer o grandioso templo que é monumento histórico da cidade de Amarante.
São várias as lendas relativas a S. Gonçalo de Amarante e, se S. António é o “santo casamenteiro”, a S. Gonçalo se lhe atribui o epíteto de “casamenteiro das velhas”, com origem na freguesia que paroquiava, S. Paio de Vizela.
Tal lenda terá dado origem da cantiga popular: S. Gonçalo d’Amarante, / Casamenteiro das velhas, / Porque não casais as novas? / Que mal vos fizeram elas? Etc.
Na igreja do extinto Convento de S. Gonçalo, Igreja Matriz de Amarante, existe a estátua de S. Gonçalo do século XVI, com a sua famosa corda à cintura que, segundo a crença popular, “as encalhadas” deviam puxar três vezes, para pedir um casamento ao santo. Esta estátua está colocada num pedestal alto, com a recomendação de que não se puxe a corda, para que não caia o santo em cima.

Eis a lenda:

Ao percorrer a freguesia na sua faina pastoral, encontrou Gonçalo uma paroquiana já velha e pobre, que só inspirava compaixão. Dirigiu-lhe a palavra, perguntando porque não havia ela de casar (era solteira), para ter quem a amparasse.
Tão estranha pergunta deixou a velha atónita e não soube responder.
“Ao primeiro homem que encontrares, diz o padre, fala-lhe em casamento”, e continuou o seu caminho.
A mulher ia pensando no que o pároco lhe havia dito e, poucos passos andados, vê um jovem, filho de uma das primeiras casas da freguesia. Avistando-o, rompeu às gargalhadas.
Aturdido com as risadas da velha, o mancebo quis saber a razão, e a velha lhe falou nas palavras anteriormente ditas pelo abade.
“Tudo pode ser, respondeu o jovem, ninguém diga desta água não beberei”.
Poucos dias depois a paróquia assistia ao casamento da pobre velha com o rico proprietário, unidos e abençoados pelo santo abade.
As bênçãos do céu, diz a lenda, caíram naquela casa, pois o sábio governo da sua nova dona fez com que prosperasse e aumentasse consideravelmente.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Gon%C3%A7alo_de_Amarante

https://viagens.sapo.pt/viajar/viajar-portugal/artigos/sao-goncalo-de-amarante-os-segredos-de-uma-igreja-marcada-por-balas-de-canhao
Portugal Antigo e Moderno, vol. 12, pág. 1967.